Fim de subsídio ao diesel não tem impacto imediato na Zona Sul

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Fim de subsídio ao diesel não tem impacto imediato na Zona Sul

Redução de R$ 0,35 por litro foi encerrada pelo governo federal, mas corte nas refinarias evita alta nas bombas

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Atualizado quarta-feira,
01 de Julho de 2026 às 18:25

Fim de subsídio ao diesel não tem impacto imediato na Zona Sul
(Foto: Jô Folha)

O governo federal encerrou nesta quarta-feira (1) a subvenção de R$ 0,35 por litro do diesel, criada para amenizar os efeitos da alta do petróleo devido à guerra no Oriente Médio. Apesar da mudança, o consumidor não deve perceber o aumento no preço do combustível, já que a Petrobras anunciou um dia antes uma redução do mesmo valor no diesel vendido às distribuidoras.

A medida faz parte da retirada gradual dos incentivos concedidos pelo governo desde março, quando o preço do barril de petróleo ultrapassou os US$ 100 em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.

Inicialmente, o governo reduziu tributos sobre os combustíveis e, depois, substituiu parte desse benefício por uma subvenção direta ao diesel. Agora, com o barril do petróleo novamente próximo dos US$ 70, segundo o governo, o cenário já permite retirar parte das medidas.

O economista Eduardo Tillmann reafirma que, por ora, não há impacto imediato nas bombas. “Essa redução [da Petrobras] compensa o fim do subsídio, de modo que o preço de referência para as distribuidoras tende a permanecer praticamente inalterado. Não se espera um impacto imediato nas bombas, salvo diferenças decorrentes de estoques, concorrência entre postos ou estratégias comerciais”, explica.

Sentimento na prática

Embora o efeito seja praticamente nulo neste primeiro momento, a preocupação permanece entre quem depende diariamente do diesel para trabalhar. Caminhoneiro há quatro anos, Felipe Gloss, de 32 anos, conta que tem passado por momentos de incerteza em relação à profissão.

Segundo ele, um caminhão chega a consumir cerca de 800 litros de diesel por semana. “Cada aumento faz a gente pensar se ainda vale a pena continuar. Os descontos ajudaram bastante, mas, se eles acabarem, a preocupação volta”, relata.

Felipe diz que a categoria sentiu os reflexos da alta dos combustíveis desde o início do conflito e teme novos reajustes caso outras subvenções também sejam retiradas. Atualmente, permanece em vigor outro benefício de R$ 1,12 por litro para o diesel, que também está sendo reavaliado pelo governo.

A alta do diesel afetaria quais setores?

Na Zona Sul, uma eventual alta do diesel teria reflexos especialmente sobre atividades que dependem do transporte rodoviário. O economista destaca que o agronegócio, principalmente durante o escoamento das safras, as empresas de logística e as operações ligadas ao Porto de Rio Grande seriam os primeiros setores a sentir os impactos.

“O principal efeito da medida é retirar um mecanismo temporário de amortecimento”, avalia Tillmann. “Como não houve aumento líquido no preço do diesel nas refinarias, não há fundamento econômico para reajustes generalizados no frete ou nos alimentos neste momento”.

Motivação fiscal da medida

Para o economista, a decisão do governo também faz sentido do ponto de vista financeiro. Com a estabilização dos preços internacionais do petróleo, manter o subsídio ampliaria os gastos públicos sem necessidade. Ainda assim, o setor produtivo segue atento às próximas decisões da equipe econômica, principalmente em relação ao desconto restante que segue vigente.

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