A falta de recursos para obras federais reflete o cenário das estradas na Zona Sul do Estado. Embora o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) mantenha as ações de manutenção nas rodovias e priorize a duplicação da BR-116, a sequência das obras depende da liberação de novas verbas. Enquanto isso, há preocupação no setor da construção pesada com aumento de custos e risco de perda de mão de obra.
Segundo o superintendente regional do Dnit, Vladmir Casa, as empresas responsáveis pela duplicação da BR-116 ainda estão mobilizadas, mas o orçamento previsto para este ano já foi totalmente utilizado. Agora, o órgão aguarda uma suplementação de recursos, o que, segundo ele, ocorre todos os anos.
“Estamos vivendo um hiato entre a verba que terminou e a próxima suplementação”, explica Casa. O remanejamento de recursos é uma prática comum e legal no governo federal. Obras que encontram dificuldades acabam cedendo verbas para aquelas que conseguem manter o cronograma de execução.
O superintendente afirma que a duplicação da BR-116 segue entre as prioridades do Dnit. Hoje restam 31 quilômetros para a conclusão da obra, sendo que cerca de 11 quilômetros estão praticamente prontos. A expectativa é que esse trecho seja liberado assim que houver nova disponibilidade orçamentária.
Prazos dependem de recursos
Vladimir Casa evita supor um prazo para a conclusão da duplicação. O ministro dos Transportes, Renan Filho, por outro lado, disse em fevereiro que a obra poderia ser entregue em 2027. “Uma coisa é a engenharia, outra coisa são os recursos”, contrapõe o superintendente do Dnit, pois do ponto de vista técnico seria possível estimar a duração da obra.
Impacto no setor de construção pesada
A preocupação também está no setor da construção pesada. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem do Rio Grande do Sul (Sicepot-RS) e diretor da Fiergs, Rafael Sacchi afirma que a interrupção constante dos investimentos gera prejuízos que vão além das empresas.
“Uma empresa não consegue simplesmente mobilizar quando vem recurso e desmobilizar quando ele acaba. Existem trabalhadores, planejamento e compromissos assumidos”, afirma.
A imprevisibilidade, segundo Sacchi, também aumenta o custo das obras, pois a inflação dos insumos da construção geralmente supera os índices gerais da economia. Além disso, nas pausas da execução da obra, trabalhadores acabam sendo desligados e muitos deixam o setor.
15 anos e contando
A duplicação da BR-116 começou há cerca de 15 anos. Para Sacchi, a demora para conclusão da obra compromete a competitividade da região, mantém elevados os custos logísticos e acaba refletindo no preço dos produtos pagos pela população. “O desenvolvimento econômico passa por infraestrutura. Nenhum país se desenvolveu sem investir fortemente em rodovias, ferrovias e logística”, destaca.
Outras obras em andamento
Na Ponte Internacional Barão de Mauá, que liga Jaguarão, no Brasil, a Rio Branco, no Uruguai, por meio da BR-116, o projeto executivo passa por atualização e adequação às normas atuais. A revisão deve durar cerca de quatro meses e, depois disso, será analisada pela equipe especializada do Dnit em Brasília antes da autorização para o início da obra.
Já o projeto da ligação entre Rio Grande e São José do Norte permanece em fase administrativa na capital federal. Segundo Casa, a empresa vencedora da licitação ainda precisa concluir a documentação e apresentar as garantias contratuais para receber a ordem de serviço. Somente após essa etapa o acompanhamento passará para a superintendência regional do Dnit.
