Pesquisador do Centro de Atividade Física, Saúde e Tecnologia da ESEF/UFPel e associado à University of Southern California, Natan Fetter é o autor principal do Projeto Coorte Pampa, estudo que acompanha a saúde da população gaúcha desde a pandemia.
Como está a saúde mental da população gaúcha hoje, no período pós-pandemia?
Antes mesmo da pandemia, o Brasil já era um dos líderes mundiais em prevalência de sintomas de ansiedade e depressão, e o Rio Grande do Sul era o estado com maior prevalência de depressão no país. Durante a fase mais aguda da Covid-19, os sintomas aumentaram cerca de sete vezes. Depois houve redução, mas os níveis não voltaram ao patamar anterior. Em 2024, com as enchentes, observamos novamente um aumento importante. Toda vez que temos eventos extremos ou crises de saúde pública, os sintomas de depressão e ansiedade voltam a crescer.
Quais grupos são os mais afetados?
Mulheres, pessoas em piores condições socioeconômicas e jovens apresentam maior frequência desses sintomas. Além disso, foram justamente esses grupos os mais impactados tanto pela pandemia quanto pelas enchentes de 2024.
O que a pesquisa está investigando nesta nova etapa?
Continuamos acompanhando saúde mental, atividade física, dores musculoesqueléticas e acesso aos serviços de saúde. Também passamos a investigar fatores que podem influenciar esses desfechos, como o uso de redes sociais e as apostas esportivas online, para entender como esses hábitos podem estar relacionados à saúde física e mental.
Os jovens seguem sendo o grupo mais vulnerável?
Sim. A literatura mundial confirma isso, e nossos dados também. Quanto mais jovem o indivíduo, maior a prevalência dos sintomas de depressão e ansiedade e maior o impacto deles na qualidade de vida, na produtividade e na necessidade de buscar atendimento em saúde.
Qual deve ser o papel do poder público diante de novos eventos climáticos?
As evidências mostram que eventos extremos têm grande impacto sobre a saúde mental. Por isso, é fundamental aproximar a população dos serviços de saúde e fortalecer o acesso ao atendimento psicológico e psiquiátrico, reduzindo os efeitos dessas crises.
Como participar da pesquisa?
A pesquisa é totalmente online e aberta a moradores do Rio Grande do Sul. O questionário leva menos de dez minutos para ser respondido e está disponível nas redes sociais do Projeto Coorte Pampa.
