“É uma forma de manter viva a memória  e transmitir os costumes do passado”

Abre aspas

“É uma forma de manter viva a memória e transmitir os costumes do passado”

Ramon Costa - Expositor do Mercado das Pulgas

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“É uma forma de manter viva a memória  e transmitir os costumes do passado”
Ele descreve a feira como um universo consolidado em Pelotas (Foto: Reprodução)

Muito mais do que um espaço para compra e venda de antiguidades, o Mercado das Pulgas de Pelotas reúne histórias, memórias e encontros que atravessam gerações. Realizada aos sábados no entorno do Mercado Público, a feira se consolidou como um ponto de convivência entre colecionadores, expositores e visitantes.

O que é o Mercado das Pulgas? Ele vai além de uma feira de antiguidades?
O Mercado das Pulgas é uma feira que vai muito além da comercialização de antiguidades, livros e objetos de coleção. É um espaço de convivência, troca de experiências e preservação da memória, onde clientes e expositores criam laços e transformam o sábado em um momento de encontro.
A feira é uma instituição milenar. Não é apenas um ponto de comércio, mas também de interação. Muitas pessoas fazem do sábado um programa para visitar a feira, conversar e reencontrar amigos. Ao longo dos anos, formou-se ali um universo consolidado de relações, amizades e histórias que continuam sendo cultivadas.

Como surgiu o Mercado das Pulgas e por que esse nome?
O nome foi uma sugestão minha para a Paula, que estava organizando a feira. “Mercado das Pulgas” é uma denominação conhecida em várias cidades do mundo. Em Montevidéu, por exemplo, existe o Tristán Narvaja; em Lisboa, o Mercado da Ladra. Cada lugar tem sua tradição, mas todos seguem a mesma ideia.

A origem da feira começou com a Feira da Princesa, criada por Nina Paixão na Avenida Bento Gonçalves, em frente ao Portão de Pelotas. Na época, a feira era dividida: de um lado ficavam as antiguidades e, do outro, o artesanato. Com o passar do tempo, a Feira da Princesa começou a enfrentar problemas de infraestrutura, iluminação, segurança e estacionamento, o que levou à necessidade de buscar um novo espaço.

Como foi a mudança da feira para o Mercado Público?
A mudança surgiu durante uma conversa com a Paula [Mascarenhas]. A ideia era revitalizar o entorno do Mercado Público, atraindo visitantes para movimentar os restaurantes e o comércio local.
Além de fortalecer aquela região da cidade, a transferência resolveu antigos problemas enfrentados na Avenida Bento Gonçalves, como falta de iluminação, segurança e estacionamento, oferecendo melhores condições para expositores e público.

O senhor trabalha há muitos anos na feira. O que vende na sua banca?
Trabalho há cerca de duas décadas nesse ramo. Minha banca é voltada principalmente para livros, mas também comercializo itens de numismática e colecionáveis, como carrinhos Hot Wheels, gibis e outros objetos ligados ao colecionismo. Os livros continuam sendo a base do meu trabalho.

Existe interesse do público por itens como carrinhos Hot Wheels?
Muito. A maior parte da minha clientela é formada por adultos, muitos com mais de 30 ou 40 anos. Existe uma cultura muito forte de restauração e personalização dos Hot Wheels. As pessoas colecionam, restauram, procuram modelos específicos e revivem lembranças da infância por meio desses objetos. Costumo dizer que são crianças de 40 a 60 anos.

Os objetos vendidos despertam lembranças afetivas nas pessoas?
Sem dúvida. Muitas pessoas compram objetos porque eles lembram a casa dos avós, a infância ou momentos marcantes da vida. Depois da pandemia, também percebi um aumento na procura por livros e por objetos de decoração que tornam os ambientes mais acolhedores.

A feira também serve para apresentar às novas gerações objetos e costumes do passado?
Exatamente. Um exemplo muito comum na minha banca é a ficha telefônica. Muitos pais, mães e avós utilizam esse objeto para explicar aos mais jovens como funcionavam os telefones públicos e até a origem da expressão “cair a ficha”. Eles contam que era preciso inserir a ficha no aparelho e somente quando a ligação era completada é que a ficha caía, permitindo a conversa. É uma forma de manter viva a memória e transmitir conhecimentos sobre tecnologias e costumes do passado.

Como o senhor imagina o futuro do Mercado das Pulgas?
Vejo um futuro muito promissor. Enquanto houver interesse em preservar a memória e reutilizar bens duráveis, a feira continuará existindo. As sociedades que valorizam sua história preservam seus objetos, seus livros e seu patrimônio, e o Mercado das Pulgas cumpre justamente esse papel.

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