Oferecer letramento digital gratuito para mais de 900 jovens é um dos objetivos do projeto Carreta Digital, que está desde o dia 1º de junho na E.M.E.F Francisco Caruccio. A ação do Ministério das Comunicações funciona em formato de escola itinerante e oferece cursos de manutenção de celulares, montagem de computadores e robótica. Até o momento, mais de 15 mil estudantes foram beneficiados no Brasil. No Rio Grande do Sul, a meta é que mais de cinco mil se qualifiquem. Além de Pelotas, a Carreta Digital passou por Canoas e Rio Grande. A gerente Waleria Vargas Busetti conta que o projeto é voltado para estudantes da rede municipal.
A Carreta Digital chega como uma ação essencial em uma era tecnológica. O letramento digital é algo indispensável no mercado de trabalho para os jovens contemplados?
Diria que é essencial. E a Carreta, em Pelotas, também está oferecendo os cursos para os pais, professores e familiares, reforçando o cuidado e a importância da qualificação e conhecimento para todos. O projeto está sendo executado pela Rede Brasileira de Certificação e Pesquisa (RBCIP). A Carreta vem com vários cursos, e cada município escolhe aquilo que vai se adequar mais à sua população-alvo.
Por que a escolha da Escola Francisco Caruccio como ponto de referência?
Ela está no bairro Pestano porque era necessário cumprir uma série de requisitos e a escola, de acordo com a Secretaria de Educação, seria o melhor lugar. Imediatamente o professor Alexandre abriu as portas. Aliás, ele chegou a derrubar parte do muro para a entrada da Carreta, que vai atender todas as escolas da região.
O que a Carreta Digital oferece?
Ela é uma sala de aula equipada em quatro rodas. É algo extremamente inovador porque temos os computadores, impressora 3D e máquina de robótica, por exemplo. Os alunos têm aulas práticas de montagem e desmontagem de celulares, porque o público-alvo são os adolescentes e crianças que estão em vulnerabilidade social. O nosso objetivo é capacitar a todos, mas, muito mais do que isso, é mostrar que toda essa população tem potencial para se desenvolver em alguma área. Acredito que, quando a gente dá a possibilidade para as pessoas escolherem de que forma irão utilizar esse conhecimento que estão recebendo, é fantástico.
A Carreta oferece os mesmos cursos para os pais dos alunos também. Qual a importância e o impacto desse conhecimento para os familiares?
Quando os pais e/ou os responsáveis souberam que poderiam participar, imediatamente a adesão foi enorme, as vagas foram preenchidas rapidamente. Como disse, temos cursos de manutenção de celulares e linguagem Python, que é uma linguagem bem inovadora, a maioria das pessoas não conhece, e os pais querem aprender porque está bem voltada para Inteligência Artificial, que são siglas, nomes, novas formas de se escrever. Quero dizer que acredito muito no ser humano. Esses pais que estão participando com os seus filhos são uma prova de que todos somos iguais em sala de aula, porque aqueles meninos e meninas não conhecem os temas, e os pais também não. Então, mostra que a gente pode crescer juntos graças à educação.
O que mais te encanta no projeto, além do aprendizado?
Os tutores. Em Pelotas, são quatro jovens que fazem faculdade ou já estão formados na área de design de jogos e de computação. Eles são maravilhosos porque conseguem ter uma conversa com os alunos de igual para igual. Isso é incrível. Eles são da Federal, da Católica, do Senac, então isso também chama a atenção de outros alunos. Eles percebem como é importante estudar, se capacitar. E cada vez mais digo que educação é um somatório positivo, conhecimento ninguém tira da gente.