Por que eu não posso ir para a Copa

Opinião

Helena Tomaschewski

Helena Tomaschewski

Estudante de Direito

Por que eu não posso ir para a Copa

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Meu pai tem um jeito diferente de torcer pela Seleção Brasileira. Ele é do tempo – palavras dele – que os jogadores vestiam a camisa pelos torcedores e pelo país. As marcas, propagandas e agora bets ficavam em segundo plano.

Eu sou um pouco diferente. Acho lindo a integração de olhar para um total estranho e gritar com um sorriso no rosto e uma cerveja na mão, e receber o sorriso de volta. Meu pai já desistiu do Brasil há um bom tempo, se incomoda com todos os jogadores virando celebridades, namorando celebridades, e julga que ninguém mais se importa com o futebol de fato, como um velho amargo que repete: “na minha época não era assim…”

Até agora, nesta Copa, não assisti a nenhum jogo em casa. O que incomoda meus pais, que me veem saindo de minissaia no frio de seis graus. E também incomoda meu namorado, que não consegue ver o jogo a 200 metros de um telão, cercado de pessoas e, pior, ouvindo a falação contra o Neymar. O que eu posso fazer se tenho criatividade para montar várias roupas que merecem ser vistas? E eu gosto de apoiar o comércio local. A cidade precisa de mais pessoas como eu!

E outra coisa: se ficássemos em casa, eu perguntaria sobre o impedimento de qualquer jeito. Meu namorado está fadado a isso. Mas tenho que admitir: o sentimento de todos ali estarem na mesma situação, concordando com algo, é extremamente raro e reconfortante, e o sentimento me domina. Esses dias me peguei gritando para um telão a 200 metros de mim:

— Para de teatro! Se não quer contato, vai pro vôlei!

Minha amiga disse:

— Helena, eles não conseguem te ouvir.

As pessoas em volta me olharam com o mesmo olhar julgador. Então, me senti de fora. E aos que estavam procurando, eu achei: a única coisa que faz com que alguém fique com o mesmo sentimento numa Copa.

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