Uma atitude que acolhe e conecta mulheres

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Uma atitude que acolhe e conecta mulheres

Projeto mobiliza a Confraria do Café, que celebra sucesso com festa junina na Associação Rural

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Atualizado quarta-feira,
24 de Junho de 2026 às 09:43

Uma atitude que acolhe e conecta mulheres
Encontro acontece na última quinta-feira de cada mês. (Foto: Divulgação)

Uma mulher em situação de rua, sentada na calçada, penteando os longos cabelos diante de um pequeno espelho. A cena observada da sacada de um apartamento em Pelotas sensibilizou a empresária Viviane Sabbado, que coordena a Confraria do Café, voltado ao empreendedorismo feminino. Para ela, foi o ponto de partida para um movimento que hoje mobiliza dezenas de mulheres: o projeto Bolsa que Acolhe, iniciativa criada por Viviane e abraçada pelas confreiras. As doações são destinadas a mulheres em vulnerabilidade e inclui o projeto Rosas de Aços.

Para celebrar esse movimento de união e solidariedade, e como toda última quinta-feira do mês é dia de encontro, nesta quinta (25) as confreiras se encontram na 7ª Edição da Confraria do Café para a Festa Junina. Será um arraiá reunindo mais de 60 expositoras para uma troca de experiências e solidariedade. A dimensão do encontro exigiu um espaço mais amplo de uma cafeteria, que por meses acolheu o evento. Depois, as confreiras foram para o Salão Harmonia da Associação Rural de Pelotas. Além disso, a demanda por ser uma confreira superou todas as expectativas e para estruturar melhor o grupo, a Confraria vai dar uma pausa para novas inscrições. Mas é temporário.

Para a coordenadora, mais do que um grupo de negócios, a Confraria do Café tornou-se uma rede de apoio formada por mulheres que acreditam na força da colaboração. O que começou com encontros informais para conversas e compartilhamento de experiências cresceu e hoje reúne empreendedoras de diferentes áreas, profissionais liberais, autônomas e mulheres que buscam apoio para desenvolver seus projetos. “A Confraria é aberta para todos os outros grupos. Não existe concorrência entre mulheres. Existe união, fortalecimento e crescimento de todas juntas”, garante Viviane.

A advogada Patrícia Batista, uma das integrantes da confraria resume: “A gente ajuda uma mulher que ajuda uma família, que ajuda uma comunidade e que cria uma cidade mais humana.” Segundo ela, o propósito do grupo vai além do networking. Cada encontro mensal traz palestras, orientações e conteúdos práticos voltados ao desenvolvimento dos negócios. Já passaram pela programação temas como formalização de empresas, legislação para microempreendedores, saúde, gestão e qualificação profissional.

Empreender juntas

Para as participantes, um dos principais diferenciais da confraria é o ambiente de cooperação. Em um universo onde muitas vezes se fala em concorrência, elas defendem a construção de uma rede baseada na sororidade e no compartilhamento de conhecimentos. A produtora cultural Adriana Noronha, que coordena o projeto Orquestrando Sonhos, destaca que o grupo funciona como um espaço de acolhimento para mulheres que enfrentam desafios pessoais e profissionais. “Muitas chegam precisando de apoio, orientação e até de autonomia financeira. Aqui elas encontram outras mulheres dispostas a ajudar, compartilhar experiências e abrir caminhos”, afirma.

Um dos exemplos é a ramificação do projeto Orquestrando Sonhos, que nasceu em 2022 como uma iniciativa de transformação social através da música, da arte, da inclusão e do afeto. Dentro desse universo nasceu o Armazém dos Sonhos que estreia como expositor na Confraria do Café, amanhã. No espaço de pertencimento, criatividade, empreendedorismo e esperança a arte, sustentabilidade e amor caminham juntos para criar oportunidades reais para as famílias do projeto.

A iniciativa trabalha com produtos produzidos por mães e famílias atendidas pelo projeto, transformando materiais reaproveitados em bolsas, acessórios e peças artesanais por meio do conceito de upcycling. Diferente da reciclagem tradicional, o upcycling reaproveita os materiais sem a necessidade de novos processos industriais, evitando maior consumo de energia e recursos naturais e reduzindo o impacto ambiental.

A coordenadora Gerusa Brum conta que a participação amanhã pode ser uma virada de chave no trabalho que ajuda mulheres do projeto a terem uma autonomia financeira. “Atuar como mentora do projeto é uma forma de compartilhar conhecimento, gerar oportunidades de renda para mulheres e sentir-se produtiva ao contribuir para a transformação da vida das participantes”.

A possibilidade de expor abre muitas oportunidades, como por exemplo, poder ser a peça que irá receber os itens do Bolsa que Acolhe e, assim, multiplicar a produção e muitos significados.

Como funciona a Bolsa que Acolhe

Cada participante monta uma bolsa com itens de cuidado pessoal e carinho destinados a mulheres em situação de vulnerabilidade social. Escova de cabelo, absorventes, produtos de higiene, acessórios, livros, chocolates e mensagens de incentivo compõem os kits que serão entregues posteriormente.

Segundo Adriana, a iniciativa vai além da doação material. A ideia surgiu como uma forma de proporcionar um gesto de afeto para quem recebe a bolsa, mas o processo acaba transformando também quem participa da ação. Durante a montagem dos kits, muitas mulheres são levadas a refletir sobre autocuidado, empatia e autoestima.

“Uma das participantes contou que sempre gostou de usar tiaras, mas deixou de usá-las porque lhe causavam dor de cabeça. Mesmo assim, comprou várias para colocar nas bolsas, pensando em outras mulheres. Outra percebeu que estava reunindo itens para cuidar de alguém enquanto ela mesma havia deixado de se cuidar”, relata Viviane.

Essas histórias, segundo Viviane, Adriana e Patrícia mostram que a Bolsa que Acolhe cria uma corrente de solidariedade que começa muito antes da entrega. Ao escolher cada item, as participantes compartilham experiências, revisitam suas próprias trajetórias e fortalecem a compreensão sobre a importância do cuidado consigo mesmas e com o próximo.

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