Até o dia 10 de julho, pode ser visitada no Museu do Doce da Universidade Federal de Pelotas a mostra de imagens bi e tridimensionais que os alunos do curso de Artes Visuais da UFPel produziram, inspirados por Peabiru, caminho ancestral que ligava o oceano Atlântico ao Pacífico. É essa visão particular que o público poderá conferir na série de produções artísticas elaboradas para a disciplina de Fundamentos de Desenho 1, após assistirem ao episódio do documentário Peabiru, mistério e segredos, uma produção da TV UFPel/EBC, para a série Olhar Brasil.
O trabalho foi coordenado pelas professoras Thais Seibt e Lislaine Cansi, do curso de Artes Visuais Licenciatura e a organização contou com o apoio das alunas monitoras Natália Corrêa e Thais Oliveira. O documentário de 26 minutos foi dirigido pelo professor do Curso de Jornalismo da Universidade, Carlos “Cadré” Dominguez.
Peabiru traz um fragmento desta história milenar, em especial no trecho catarinense e paranaense. A obra, que também está no YouTube, será reexibida no auditório do Museu do Doce, integrando a programação da exposição, no dia 3 de julho, às 19h. Evento com entrada gratuita.
Caminhos ancestrais
O Peabiru é um sistema de caminhos ancestrais que existe há milhares de anos, que tinha uma das pontas no litoral do oceano Atlântico no Brasil, cruzando a cordilheira dos Andes e servindo de rota de integração e de troca de produtos das culturas andinas com as das terras baixas, e vice-versa. As evidências arqueológicas e os relatos das lideranças espirituais dos povos originários indicam uma intensa movimentação de populações que se relacionavam socialmente. No país, os dois ramais mais conhecidos são os que se originam no litoral de Santa Catarina e São Paulo, se encontrando no interior do Paraná, seguindo até o Paraguai e subindo em direção ao altiplano boliviano, para depois ingressar no Peru em direção a Cuzco, capital Inca, e descer até o litoral do Pacífico.
Em 2023 o professor Domingues lançou o livro Peabiru – O mítico caminho sagrado do Atlântico ao Pacífico. “Foram uns cinco anos de pesquisa até chegar ao livro reportagem. Eu percorri alguns trechos desse caminho do Peru, mas o caminho vai do litoral do Brasil ao litoral do Peru. Atravessa toda a América. No documentário tem os trechos do Paraná, porque o documentário ficou só no Brasil”, explica Cadré.
Na sequência o EBC lançou um edital para que as TVs universitárias produzissem o canal Brasil. O Jornalismo da UFPel venceu o edital e produziu o documentário, que estreou no início do ano passado na TV Brasil.
Temas e técnicas distintas
“Fizemos a proposta de trabalhar com o Peabiru, convidamos o Cadré para dar uma palestra e exibir o filme”, conta a professora Thais. A partir dessa experiência, eles criaram as obras. “Tivemos temas bem distintos, mas todos relacionados ao documentário e tinham a liberdade de propor a técnica que eles iriam dizer”, comenta.
Thais relembra que das três turmas, apenas dois alunos conheciam a história de Peabiru, e lamenta que as histórias dos povos originários não faça parte do currículo das escolas. “Quando eu comecei a estudar foi justamente por que eu pensava: como é que isso pode existir e eu nunca fiquei sabendo disso”, conta Cadré.
Para a professora, neste caso, a arte cumpriu o papel de aproximar uma história que fundamenta tradições e culturas ancestrais dos alunos e agora do público. “E aí tu traz à tona isso e as pessoas começam a conhecer”, fala.
As próprias monitoras monitoras Natália Corrêa e Thais Oliveira confessam que não conheciam essa parte da história da América Latina. “Foi interessante porque a gente teve que pesquisar para saber mais sobre o assunto. É interessante também que também que o trabalho da Natália e o meu, eles são bem diferentes. A Nati fez um desenho de observação de uma das imagens do documentário. Eu fiz uma coisa mais do que ele estava procurando, onde eles queriam chegar. ”, comenta Thais Oliveira.
