Direção da Santa Casa de Pelotas homenageia o médico Fuad Selaimen

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Direção da Santa Casa de Pelotas homenageia o médico Fuad Selaimen

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Há 50 anos

Ao completar 25 anos dedicados ao Pavilhão da Tisiologia Baronesa do Arroio Grande, da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas, o doutor Fuad Selaimen, na época com 55 anos, foi homenageado no salão nobre da entidade. A celebração partiu da diretoria, mesa administrativa, funcionários e corpo de religiosas do hospital.

A solenidade, que ocorreu em 21 de junho de 1976, contou com a presença do provedor Jayme Wetzel e de autoridades civis, militares e eclesiásticas. Inicialmente o homenageado foi saudado pelo diretor clínico da Santa Casa, doutor Amadeu Ribeiro Weinmann que falou sobre as qualidades, não só do médico mas também do homem, enaltecendo o caráter e a dignidade de Fuad Selaimen, salientando a dedicação e abnegação com que havia se dedicado aos pacientes. Também falou o jornalista Armando Leite Goulart, que a exemplo de Amadeu Weinmann, teceu um discurso elogioso ao médico.

Trajetória

Agradecendo as homenagens, Selaimen relembrou seu ingresso na Santa Casa. “Com os colegas, aprimorei meus conhecimentos técnico-científicos e com os funcionários, entre os quais, os religiosos, intensifiquei meu amor a Deus aprendendo a ver em cada paciente, sua presença e a saber que, antes do medicamento, o enfermo está a necessitar de um sorriso ou uma palavra de carinho”, disse o médico.

Selaimen nasceu em Porto Alegre, em 11 de abril de 1921. Em 1948 concluiu a Faculdade de Medicina e seguiu por seis meses o curso de Fisiopatologia do Aparelho Respiratório, no Hospital de Muniz, em Buenos Aires.

O gaúcho voltou a Porto Alegre, onde permaneceu até 1951, quando foi convidado pelo médico Darcy Xavier, então médico-chefe da Santa Casa, para responder pelo Serviço de Tisiologia do hospital. “A indicação tinha o endosso de vários colegas meus, como os doutores Salvador, Isaías, Abraão e Jamil, entre outros. Achei que deveria aceitá-la”, contou à imprensa na época.

O médico foi uma figura de grande destaque na medicina, na vida comunitária e na política de Pelotas durante o século 20. Atuou na área de tuberculose na Santa Casa de Misericórdia. Em 1975, recebeu o título de Presidente de Honra da Santa Casa de Pedro Osório por ser o primeiro médico a socorrer vítimas de enchentes na região.

Carreira Política

Ingressou na política pela Aliança Renovadora Nacional (Arena) e concorreu ao cargo de vice-prefeito de Pelotas ao lado do então candidato a prefeito Ary Rodrigues Alcântara. Eleito, exerceu o mandato no período de 1973 a 1977.

Fonte: Acervo Bibliotheca Püblica Pelotense

Há 98 anos

O dia em que o Guarany blindou Henriqueta Brieba com flores

Em 1928, Pelotas vivia o auge de sua efervescência cultural quando recebeu a Companhia Nacional de Revistas. Entre os destaques do elenco estava Henriqueta Brieba (1901-1995) — que décadas mais tarde se tornaria a carismática e miúda vovó das telenovelas e programas de comédia da tevê brasileira — então uma jovem atriz bonita, inteligente e dona de uma versatilidade que arrebatou plateias cantando e representando.

Atriz espanhola foi vaiada e depois aplaudida na mesma noite (Foto: Reprodução)

A passagem pela Princesa do Sul, contudo, ficou marcada por um episódio singular no palco do Theatro Guarany. A companhia encenou a peça de humor crítico A Princesa do Sebo, uma sátira aos costumes locais que ironizava desde a Rádio Pelotense até o eleitorado da colônia. O texto, considerado de “mau humorismo” e gosto duvidoso, dividiu o teatro: enquanto a elite na plateia se mostrava desconfortável, as galerias se enchiam de goliardos em busca de deboche.

Desagravo

Na segunda apresentação, os ânimos exaltados da galeria explodiram em vaias e gritarias generalizadas bem no momento em que Henriqueta entrava em cena para um número solo de canto. Diante da injustiça contra a jovem artista, a exigente plateia pelotense reagiu prontamente. Em uma demonstração de elegância, o público dos camarotes e frisas abafou os protestos com uma salva de palmas estrondosa.

Comovida pelo desagravo, Henriqueta dominou o palco e cantou, belamente, um trecho da opereta Frasquita. Ovacionada, foi obrigada a repetir o número e acabou coberta de flores. Uma noite que deve ter ficado na mente da atriz espanhola e que veio para o Brasil na adolescência.

Fonte: Nossa cidade era assim, de Heloísa Assumpção Nascimento

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