A saúde mental passou a ocupar espaço central nas discussões sobre segurança do trabalho. Esse foi um dos principais assuntos do primeiro Workshop de Saúde e Segurança no Trabalho, realizado nesta terça-feira (16), em Pelotas. O evento contou com a presença de gestores, profissionais da área e auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Promovido pelo MTE, o encontro aproxima órgãos de fiscalização e empresas para discutir temas como construção civil, gestão de riscos no meio rural, combate ao trabalho escravo e os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. O tópico mais aguardado foi a aplicação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) que reforça a necessidade de prevenção de fatores que possam afetar a saúde mental dos trabalhadores.
A auditora fiscal do trabalho, Fernanda Bueno, destacou o aumento de afastamentos por transtornos mentais nos últimos anos. Conforme dados apresentados no evento, o Rio Grande do Sul registrou mais de 46 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais em 2025, ocupando a terceira posição entre os estados brasileiros, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais.
Em 2025, o país registrou mais de meio milhão de afastamentos por ansiedade, depressão e outros problemas psicológicos. Segundo dados da Previdência Social, os casos cresceram 15% em relação a 2024 e já é a segunda principal causa de afastamento, atrás apenas das doenças da coluna.
Agentes catalisadores no trabalho
Entre os fatores que podem levar ao adoecimento estão a pressão excessiva por resultados, metas difíceis de alcançar, jornadas intensas e casos de assédio. Atualmente, existem métodos para identificar ambientes estressores, como pesquisas de clima organizacional, questionários sobre bem-estar no trabalho, além de canais de escuta e acompanhamento.
Segundo Fernanda, embora os riscos psicossociais estivessem incluídos na NR-1 desde 2020, uma atualização em 2024 trouxe mais clareza sobre as exigências às empresas. A intenção é incentivar a adoção de medidas preventivas para diminuir os casos de adoecimento no trabalho.
No entanto, a auditora chamou atenção para o fato de que os transtornos mentais ainda enfrentam resistência dentro e fora das empresas. “O corpo humano tolera a dor física, mas muitas vezes não tolera a dor na alma. Ainda existe quem trate isso como exagero ou frescura, e isso faz com que muitas pessoas deixem de procurar ajuda”, afirmou.
Dúvidas sobre a nova norma
A atualização da NR-1 é vista como uma das principais razões para a procura pelo workshop. Para o engenheiro eletricista e especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho, Fernando Tavares, muitas empresas ainda buscam compreender como a norma será aplicada na prática: “As empresas querem entender o que muda, como será a fiscalização e quais medidas precisam adotar”.
Conhecimento e prevenção
Entre os participantes estava a gestora financeira Lidiane Rijo, que trabalha no setor de tecnologia. Segundo ela, os conhecimentos adquiridos no evento podem ser aplicados em diferentes contextos profissionais, especialmente em relação à saúde mental. “É um assunto muito importante. Talvez já devesse estar sendo tratado há mais tempo. Toda iniciativa que ajude a prevenir isso é positiva”, disse.
