A falha que apareceu tarde demais

Opinião

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Jornalista

A falha que apareceu tarde demais

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O atraso na inauguração do novo Hospital Regional Pronto-Socorro de Pelotas não pode ser tratado como simples detalhe de obra. Diante de uma falha no sistema de climatização, calefação e água quente, a decisão correta é não abrir. Hospital não comporta improviso. Seria pior inaugurar uma estrutura sem condições plenas de funcionamento apenas para cumprir calendário. O problema é outro: como uma falha desse tamanho foi descoberta só agora?

O novo Pronto-Socorro não é uma obra sem dono. Ao longo dos últimos anos, teve muitos pais. Foi apresentado como conquista pela gestão Paula Mascarenhas, que conduziu a fase de projeto, contratação e encaminhamento. Foi financiado, acompanhado e divulgado pelo governo Eduardo Leite como investimento estratégico para a saúde da região Sul. Foi recebido pela gestão Fernando Marroni na reta final, com expectativa pública de abertura em 30 de junho. E passou a envolver também o governo federal, por meio do Ministério da Saúde e do Grupo Hospitalar Conceição, responsável pela operação da unidade.

Quando a obra era promessa, havia foto, discurso e celebração. Agora que surgiu uma falha relevante, ninguém pode posar apenas como espectador. Isso não significa apontar culpados no grito. A origem técnica do problema precisa ser apurada em documentos, contratos, projeto executivo, laudos e responsabilidades formais. Mas há uma constatação inevitável: uma obra hospitalar chegou às vésperas da inauguração sem que os sistemas básicos de operação estivessem devidamente validados.

As responsabilidades, evidentemente, não são iguais. Se a falha nasceu no projeto, é preciso saber quem projetou, quem aprovou e quem recebeu. Se passou pela execução, é preciso saber quem executou e quem fiscalizou. Se o Estado financiou e acompanhou a obra, precisa esclarecer qual foi o nível real de controle sobre uma estrutura tratada como estratégica. Se a gestão atual sustentou publicamente o prazo de abertura, precisa dizer quando soube do problema e por que a cidade só tomou conhecimento agora. E se o GHC entrou para operar a unidade, também precisa esclarecer em que momento identificou as limitações e quais exigências fez antes de assumir o funcionamento.

O atraso pode ser necessário. A descoberta tardia é que não é normal. Ainda mais em uma estrutura prometida para aliviar a rede pública de saúde justamente no período mais crítico do ano. A gestão Marroni talvez tenha recebido uma bomba técnica no colo, isso precisa ser considerado, mas quem assume a reta final de uma obra desse porte assume também assume a bronca. Da mesma forma, a gestão anterior não pode se afastar da origem do projeto. O Estado não pode aparecer apenas como financiador distante. E o governo federal, que entrou na operação, precisa deixar claro o que encontrou e quando encontrou.

Emenda sobre Passo dos Negros vai virar recurso

A tramitação do projeto de Marcola (União Brasil), que declara a região do Passo dos Negros como área de interesse público, cultural, social, patrimonial e histórico abriu um impasse na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. A proposta foi aprovada por unanimidade, mas uma emenda aditiva de Fernanda Miranda (PSOL), que inclui a Chácara da Brigada entre os elementos a serem considerados nos estudos científicos do território, não foi analisada.

Fernanda defendeu a flexibilização do rito. Segundo ela, pesquisadores da região alertaram para a importância da emenda, diante da possibilidade de ampliação ou melhor delimitação da área do Passo dos Negros. “É uma luta histórica da sociedade”, afirmou. O presidente da CCJ, César Brizolara, o Cesinha (PSB), disse não ter dúvida sobre o mérito da alteração, mas sustentou que o prazo já havia passado e que a emenda não chegou à comissão.

Marcelo Bagé (PL) também afirmou não ver viabilidade regimental para acolher a proposta nesta fase. Autor do projeto, Marcola defendeu a aplicação do regimento: “Depois de dado o parecer, não é mais possível emendar os projetos. Que cumpra-se”. Ivan Duarte (PT) ponderou que a Câmara poderia adotar flexibilidade em casos sem prejuízo à sociedade. Já Jurandir Silva (PSOL), relator da matéria, apontou o ponto mais sensível: segundo ele, a emenda foi protocolada antes da votação do parecer, mas não chegou à CCJ. “Isso pode acontecer com outros projetos”, alertou.

Por fim, Fernanda anunciou que apresentará recurso para tentar garantir a votação da emenda. O caso deve testar se a Câmara tratará o episódio como prazo encerrado ou como uma possível falha de tramitação em uma pauta considerada relevante até por quem defendeu o arquivamento da alteração.

Começa a CPI da Saúde

A CPI da Saúde foi oficialmente instalada na Câmara de Pelotas. Proponente da investigação, o vereador Daniel Fonseca ficou com a presidência da comissão. A relatoria será de Cristiano Silva, do União Brasil, indicado por Daniel. A vice-presidência ficou com Paulo Coitinho, do Cidadania.

A comissão quer apurar pontos sensíveis da gestão da saúde pública municipal. Entre eles, a organização das filas do SUS, o cumprimento de decisões judiciais, a transparência nas escalas de profissionais, o pagamento de horas extras, possíveis desvios de função e denúncias internas de assédio moral na Secretaria de Saúde.

A próxima reunião será nesta quarta-feira, às 11h, quando os vereadores devem discutir o plano de trabalho. Na prática, será o primeiro momento para definir o roteiro da investigação: quais documentos serão solicitados, quais temas terão prioridade e quem poderá ser chamado a prestar esclarecimentos.

PDT tem novo comando em Pelotas

Lucas Boa Nova assumiu a presidência do PDT de Pelotas. Filiado desde 2014, com origem na Juventude Socialista do partido, ele já havia presidido a juventude pedetista no município e ocupado a vice-presidência do diretório local. A troca no comando ocorre em um momento de reorganização da sigla, que mira a candidatura de Juliana Brizola ao governo do Estado e também começa a projetar 2028 em Pelotas. No plano municipal, o desafio declarado é montar uma nominata competitiva para tentar recolocar o PDT na Câmara de Vereadores. Ao assumir, Lucas afirmou que a prioridade será fortalecer o partido e “colocar a política a serviço das pessoas”.

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