Transformar desafios em oportunidades e criar uma rede de apoio entre mulheres empreendedoras, foi a partir dessa proposta que a arquiteta e empreendedora Carolina Garcia idealizou a MWP Collab, a primeira loja colaborativa do segmento em Pelotas. O espaço reúne atualmente 25 marcas locais e oferece às participantes uma vitrine permanente para divulgar e comercializar produtos artesanais, acessórios, cosméticos, itens de decoração e diversas outras criações.
Como surgiu o teu empreendedorismo? Sempre foi uma vontade tua ou nasceu de uma necessidade?
Foi uma mudança de rumo. Eu já empreendia há uns quatro ou cinco anos, desde a época da pandemia. Naquele período, eu estava grávida e meu marido trabalhava com marcenaria, então tínhamos uma loja voltada para marcenaria criativa e peças decorativas em madeira.
Com o passar dos anos, ele mudou de área e, na metade do ano passado, senti a necessidade de me reinventar dentro do empreendedorismo. Sempre gostei de ser autônoma e construir as coisas por conta própria. Como não produzíamos mais os produtos que ocupavam toda a loja, chegou um momento em que precisei decidir: ou fechava as portas e buscava outra atividade, ou encontrava uma nova forma de continuar.
Comecei a pesquisar possibilidades e, nesse processo, conheci o conceito das lojas colaborativas, algo que ainda não existia em Pelotas. A partir daí, estudei bastante e estruturei todo o projeto para transformar a loja nesse novo formato.
O que é uma loja colaborativa?
É um conceito que ainda está se consolidando por aqui, então a gente costuma explicar bastante. Trata-se de um espaço comercial que reúne marcas locais, pequenos empreendedores e artesãs em um único lugar.
Além de oferecer mais variedade para os clientes e incentivar o consumo local, esse modelo permite que os custos da operação sejam divididos entre todas as marcas participantes. Assim, as empreendedoras conseguem ter um ponto físico e contato direto com o público por um investimento muito menor do que ter uma loja própria.
Hoje, essa estrutura é compartilhada por 25 marcas.
Quando a loja passou a funcionar nesse modelo colaborativo?
O espaço onde estamos hoje já era da família. Minha avó teve empreendimentos ali muitos anos atrás e, quando o imóvel retornou para nós, abrimos a loja de marcenaria.
Ficamos cerca de quatro anos nesse formato. Em julho do ano passado comecei a planejar a transformação para o modelo colaborativo e, desde setembro, operamos oficialmente como collab.
O mais impressionante foi a receptividade. Em apenas dois meses, todas as vagas disponíveis já estavam preenchidas. Costumo dizer que a loja só existe porque houve empreendedoras que acreditaram na proposta desde o início. A divulgação aconteceu pelas redes sociais e nas feiras, onde eu apresentava o projeto diretamente às artesãs.
A ideia da loja colaborativa já existia desde o início ou foi sendo construída ao longo do caminho?
Quando percebi que não conseguiria mais manter a loja apenas com os nossos produtos, comecei a buscar alternativas.
Eu já tinha uma ligação muito forte com o artesanato. Enquanto meu marido produzia a parte estrutural das peças em madeira, eu cuidava da personalização, da pintura e da parte artística. Também participei de muitas feiras antes mesmo de termos o espaço físico.
Não queria abandonar esse universo. Sou arquiteta de formação e sempre gostei muito de decoração, arte e produção manual. Ao mesmo tempo, percebia a dificuldade das artesãs em manter um ponto fixo, já que as feiras são temporárias.
Pesquisei bastante, conversei com pessoas, busquei referências e, quando encontrei o modelo das lojas colaborativas, tive certeza de que era o caminho. A partir daquele momento, não considerei outra possibilidade.
Como surgiu o nome MWP Collab?
O nome vem da época da marcenaria. MWP são as iniciais do meu filho, que foi justamente o grande ponto de virada na nossa trajetória empreendedora.
Como a marca já era conhecida pelos clientes, decidimos manter o nome, a identidade visual e o logo, acrescentando apenas o termo “Collab”, que representa a nova proposta do negócio.
A proposta de reunir apenas mulheres foi intencional?
Na verdade, não. Nunca foi uma exigência ou condição para participar. O que aconteceu foi algo muito natural. Quando observamos o universo dos pequenos empreendedores e das feiras locais, percebemos que a maioria dessas iniciativas é liderada por mulheres.
Hoje temos participantes de diferentes faixas etárias, desde jovens na faixa dos 20 anos até mulheres com mais de 60. Algumas vivem exclusivamente desse trabalho; outras utilizam a atividade como complemento de renda ou até como uma forma de transformar um hobby em negócio.
A mulher está sempre buscando se reinventar e encontrar novas oportunidades. Foi assim que, naturalmente, acabamos formando uma rede composta exclusivamente por mulheres.