Um mês após a reconstituição da morte do agricultor Marcos Nörnberg, morto a tiros em uma ação da Brigada Militar no dia 15 de janeiro, o Instituto Geral de Perícias (IGP) ainda está em fase de conclusão das perícias realizadas no local. Com isso, o prazo estimado pela Polícia Civil de conclusão, no início do mês, deve ser prolongado. Diferentemente do Inquérito Policial Militar, pode haver indiciamento, mas ainda não há confirmação das autoridades.
Ainda de acordo com o IGP, as equipes envolvidas na elaboração dos laudos referentes às requisições feitas pela autoridade policial para o caso Marcos, estão empenhadas para atendê-las no menor prazo possível, sem prejuízo do rigor técnico e dos protocolos padronizados. Em nota, o órgão diz: “Por respeito ao sigilo das investigações, o IGP não se manifesta quanto ao escopo do que está sendo analisado neste momento. Todos os laudos, assim que concluídos, são encaminhados à autoridade policial para que possam subsidiar as investigações”.
A Polícia Civil está aguardando a conclusão dos laudos para finalizar o inquérito. De acordo com a titular da Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), delegada Walquíria Meder, pode ser que tenha indiciamento, mas ainda aguardam o laudo. O diretor do IGP, Paulo Barragan, garante que ainda há perícias em andamento. “Inclusive a reconstituição”, destaca.
Reconstituição
A reconstituição, com a presença dos 18 policiais militares envolvidos na ação do dia 15 de janeiro, ocorreu entre a madrugada do dia 12 para o dia 13. Já a participação da viúva Raquel Nörnberg foi realizada cinco dias depois. Pelo relatório do IPM da Corregedoria-Geral da BM, houve apenas indícios de transgressões disciplinares de cinco envolvidos, que são faltas administrativas analisadas em processos internos. Estes, inclusive, não teriam participado da reconstituição. Paralelamente à investigação da Polícia Civil, o Ministério Público solicitou à BM um aprofundamento no inquérito, com possíveis ações de tortura da viúva e os celulares dos PMs foram apreendidos. Esses dados poderão ser compartilhados posteriormente com a Polícia Civil, caso necessário.
Relembre
O produtor de morangos foi morto por volta das 3h do dia 15 de janeiro, quando policiais militares (PMs) invadiram a propriedade que fica às margens da BR-392, em busca de um bando de criminosos que estariam com carros roubados dois dias antes, também em Pelotas. Imagens de videomonitoramento apontam para uma série de disparos de arma de fogo e contradições sobre se houve confronto ou não.
