O domingo será de celebração, reflexão e muita música na rua Benjamin Constant, 2.129. A partir das 14h, o coletivo BatuCantada promove mais uma edição do seu Arraial da Batu, que está se tornando uma tradição do grupo. O evento ocorrerá em frente à Casa da Batu, sob o tema Do cangaço ao extremo sul, salvem todas as Marias.
Para esta edição, as organizadoras prometem que o evento vai além das festividades juninas tradicionais, propondo uma profunda conexão entre a cultura popular brasileira e debates sociais contemporâneos. A festa é aberta à comunidade e reúne uma programação diversa que une gastronomia típica, brincadeiras para todas as idades e distribuição gratuita de pipoca durante toda a tarde.
Inspiração e resistência
O ponto central do Arraial deste ano é a figura de Maria Bonita, uma das personalidades mais emblemáticas do cangaço. Presente no imaginário nacional por meio da literatura, da música e de pesquisas históricas, sua trajetória serve como fio condutor para debater o papel da mulher na sociedade.
De acordo com Vanessa Ramos, professora de música e mestra da BatuCantada, a escolha do tema não foi por acaso. Maria Bonita simboliza a mulher que detém o protagonismo de sua própria história. “A temática escolhida para o nosso Arraial busca estabelecer conexões entre a trajetória de Maria Bonita e debates presentes no coletivo, especialmente a partir de quatro eixos: mulheres, comunidade LGBTQIAPN+, ritmos brasileiros e espiritualidade”, destaca Vanessa.
A ambientação da festa também trará uma homenagem à religiosidade brasileira, inspirando-se na figura dos boiadeiros da Umbanda. As vestimentas e simbologias dessa linha espiritual, que conversam diretamente com o universo sertanejo e as tradições juninas, estarão integradas à organização visual do evento.
O som do Nordeste no Extremo Sul
Para embalar a tarde de festividades, a programação musical foi escalada para não deixar ninguém parado. Além da performance do próprio coletivo BatuCantada, o público poderá conferir a apresentação de Leu Kalunga e do grupo Forrogodó.
O Forrogodó traz a Pelotas a autêntica sonoridade do Nordeste. Formado pelos músicos Giovani Marques, Lise Peres, Gabriel Ávila e Davi Batuka, o grupo utiliza instrumentos tradicionais como o zabumba e o triângulo. No repertório, vertentes clássicas como o forró pé de serra e o forró nordestino prometem aquecer a tarde fria do extremo sul gaúcho com a energia do ritmo nordestino.
“Participar das ações da BatuCantada é sempre muito especial por poder me sentir pertencente ao coletivo. Cada pessoa contribui de um jeito, eu sou grata em fazer parte da harmonia”, comenta a artista que também contribui compondo especialmente para o coletivo, o que gerou as canções Arraiá da Batu, para as festas juninas, e Oba, para o Carnaval.
“Esse ano o grupo me presenteou colocando minhas canções autorais Nega-flor e Afro-ameríndia no repertório. Então participar é especial por ser uma forma de trocar musicalidade com uma rede de mulheres”, celebra Leu Kalunga.
Sobre a receptividade do público pelotense ao forró, Leu diz que acredita que a cultura do forró possa estar presente o ano todo em Pelotas e região. “Venho propagando e aos poucos as pessoas vêm abraçando o forró pé de serra aqui no sul”, diz. O projeto independente está ativo há quatro anos, tempo em que a artista tem buscado conexões com músicos, editais e casas de eventos. “Sinto que a cada ano mais pessoas conhecem o ForróGodó”, diz.
Serviço
- O quê: Arraial da Batu
- Quando: domingo, a partir das 14h
- Onde: rua Benjamin Constant, 2129
Entrada Gratuita
