Diogo Quaresma ressignifica a ausência paterna em documentário

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Diogo Quaresma ressignifica a ausência paterna em documentário

Obra Conversas que não tive com meu pai estreia nesta sexta-feira (29) na Mostra do Cine ILA, da Furg

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Diogo Quaresma ressignifica a ausência paterna em documentário
A cadeira vazia expõe a falta das memórias e do afeto (Foto: Laura Bardou)

A sensível linha que separa a realidade da ficção ganha contornos profundamente íntimos na Mostra do Cine ILA. O Auditório do Instituto de Artes e Letras da Universidade Federal do Rio Grande (ILA/Furg), no Campus Carreiros, sedia nesta sexta-feira (29), às 15h30min, a estreia do curta-metragem Conversas que não tive com meu pai. Com direção e roteiro do rio-grandino Diogo Quaresma, 30 anos, e edição assinada por Laura Bardou, a produção independente foi contemplada por edital municipal, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), e propõe um mergulho em temas complexos como memória, pertencimento e responsabilidade afetiva. A entrada é franca.

O projeto original nasceu com um propósito focado no patrimônio. A ideia do diretor era contar fatos da história de Rio Grande a partir da linhagem dos Azevedo, a família de seu pai, figura que se tornou ausente na vida de Diogo, desde que ele tinha cinco anos. Após um almoço com o genitor, o cineasta descobriu narrativas ricas sobre antepassados que ajudaram a construir a cidade, como por exemplo, a de um Azevedo que atuou na fundação da primeira casa kardecista local e de outro com ascendência na maçonaria e na chefia do porto. No entanto, o destino do filme mudou drasticamente nos bastidores.
Quando as gravações estavam prestes a começar, o pai do diretor, que seria o condutor e protagonista do documentário, desistiu de participar. “Ele mora em Santa Catarina”, conta Quaresma. Diante do bloqueio criativo e de uma nova ausência, o cineasta percebeu que aquela situação e os impasses da vida real eram a história que precisava ser contada. “E eu começo a perceber que eu não preciso recriar o filme. O filme já estava acontecendo. O fato do meu pai ter dito que não vinha e, mais uma vez, ele se colocar como essa figura, que já era ausente, era uma história que podia ser contada”, relembra.

Vazio assumido

Com 29 minutos de duração, a obra se transformou em um misto de documentário e drama, costurado em primeira pessoa. Na tela, a câmera assume o vazio deixado e passa a focar no acolhimento e no pertencimento encontrados na família materna (os Quaresma). Além de abordar a responsabilidade afetiva sob a ótica de quem lida com os traumas do abandono, o curta traz elementos de espiritualidade, registrando o momento em que Diogo busca orientação no jogo de búzios para reencontrar seu caminho no cinema.

Sem antecipar acontecimentos, Quaresma garante que Rio Grande mantém-se como protagonista visual e narrativa, servindo como o território onde as memórias do diretor se consolidam. Após a exibição, o público poderá participar de um debate com o diretor, que é egresso dos cursos de Artes Visuais e Administração da Furg.
A obra ainda tem a fotografia de Laura Bardou. “Para mim, a maior parte da construção do cinema está na montagem; é ela que escolhe o ritmo e o gênero. A Laura conseguiu, através de sua sensibilidade artística e da liberdade que demos um ao outro, desenvolver o filme para além do que eu tinha idealizado na direção e no roteiro”, conta Quaresma. Para o diretor, o resultado é uma mistura: um documentário com drama que flerta com espiritualidade, patrimônio e afeto.

Facilitar o acesso

Para o diretor estrear na Furg é muito simbólico, pois foi onde ele se formou e onde nasceu a paixão pelo cinema. O objetivo agora é ir além das fronteiras de Rio Grande e fazer o curta circular em festivais. “Meu objetivo principal é levar o cinema para as redes sociais, que considero o meio mais democrático hoje”, fala.

O curta também foi pensado em cinco atos justamente para que, no futuro, possa ser disponibilizado no YouTube e no Instagram em blocos de aproximadamente seis minutos. A intenção é facilitar o acesso do trabalhador no ônibus ou do estudante que está no horário de intervalo. “Quero fazer o cinema chegar ao máximo de pessoas”, fala Diogo Quaresma.

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