“Cada cliente é um desafio, um desafio gostoso, porque tem que atender às necessidades”

Abre aspas

“Cada cliente é um desafio, um desafio gostoso, porque tem que atender às necessidades”

Otávio Brod - Designer de interiores

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“Cada cliente é um desafio, um desafio gostoso, porque tem que atender às necessidades”
O profissional também atende clientes que precisam de auxílio para a escolha de mobiliários. (Foto: Reprodução)

Como é a missão de deixar a casa das pessoas mais aconchegante?

É realmente uma missão, mas é uma missão bem prazerosa. Cada cliente é um desafio, um desafio gostoso, porque tem que atender às necessidades. Tem que respeitar também particularidades que alguns clientes têm, mas eu sempre estou de braços abertos, bem receptivo para entender o que o cliente busca.

Daqui a pouco, se aquilo que ele está buscando não vai ficar tão legal, é meu papel informar e mostrar por que não vai ficar legal, mas sempre saem projetos bonitos, funcionais, e a gente fica feliz com o resultado, porque pude participar da história do cliente, montando aquele cantinho, ou todo o apartamento, ou toda a casa dele.

Como tua carreira começou?

Eu me formei faz 14 anos, estou em torno de 10 anos no mercado e, mesmo assim, estamos sempre em constante aprendizado. Não importa quanto tempo temos de formação e de atuação, sempre tem algo que a gente vai aprender. Às vezes, numa situação em que a gente se depara com um projeto e pensa: “como eu vou resolver?” E é bom estar cercado de grandes parceiros. Eu tenho meu marceneiro de confiança, troco ideia. A gente tem sempre que estar cercado de grandes parceiros de trabalho.

Tu trabalhas com móveis planejados, então, como é a visualização disso?

O cliente que quiser entrar com o imóvel vazio e quiser mobiliar todo ele num dia, é possível, vai sentar para conversar comigo. Eu vou trocar ideia sobre o projeto, questão de mobiliar a cozinha, mobiliar os dormitórios, banheiro. Se precisa de um sofá, poltrona, entre outros, levanto da minha mesa com o cliente, já com a planta em mãos e com o projeto mentalmente definido, e nós damos uma volta pela loja, já escolhemos os modelos do estofado, das poltronas, a mesa de jantar… E o mais legal é que, na loja, o cliente pode experimentar. Então, ele já sabe o que vai ter daqui a um mês ou dois dentro da casa dele. Então, já gera aquela felicidade, aquele entusiasmo de: “Meu sofá! Meu sofá já chegou”. A facilidade que a gente apresenta lá na loja é muito, muito, muito grande, né?

Quais as maiores tendências hoje?

Hoje tá bem variado, tem clientes que chegam e querem o projeto do apartamento inteiro. Um exemplo: eu estou fazendo um projeto num loft no Orla, aquele empreendimento na beira do Laranjal. Os clientes me disseram: “Otávio, a gente vai te dar a chave quando ele estiver vazio e a gente só pega a chave com ele todo montado e tudo funcionando”. É uma grande responsabilidade, mas está sendo um desafio, como todos, muito gostoso.

Mas também tem o cliente que chega e diz: “Otávio, agora não tem como fazer tudo. Eu quero fazer o mais importante, que é a cozinha”, porque a tendência dos imóveis hoje são os ambientes integrados. E aí a cozinha é algo que tu precisas realmente para poder viver; tu tens que te alimentar todos os dias. Então, faz o projeto da cozinha. Passa um tempo: “Otávio, vamos fazer o meu quarto?” Vamos fazer o quarto. Porque eu já tenho a planta, já estou com toda a ideia, já conheço o cliente, já sei o que ele gosta e, principalmente, o que ele não gosta.

Eu sempre peço: “Me diz o que gosta e, principalmente, o que não gosta”. Porque imagina, se eu crio algo e o cliente chega lá e diz: “Não, isso não tem nada a ver comigo”. É uma saia justíssima, mas sempre dá para contornar. Para evitar, então, eu sempre peço que me sinalizem.

E os clientes voltam?

Acontece muito. Tem também os clientes que vão lá, mas não precisam que eu faça o projeto, mas têm dúvidas sobre que tecido usar para o sofá, por exemplo. Às vezes, eu troco essa ideia com um dos vendedores. Então, esses tempos aconteceu: me chamou, porque os clientes nem eles estavam conseguindo chegar na cor do tecido das poltronas. Eu peguei, olhei: “Essa cor”. Na mesma hora: “Tá certo, tá certo, é essa, vamos fechar assim”. Então, também é projeto, porque eu entendo que o projeto do mobiliário é superimportante para a casa, do sob medida, assim como o projeto do mobiliário solto. Porque, às vezes, a gente não pensa nessa parte. Até pensa, mas não consegue encaixar e, ao mesmo tempo, desmembrar. Porque não é porque o cliente já tem o mobiliário sob medida feito que eu não vou poder fazer um projeto de estudar, escolher um sofá, uma poltrona. Mas, quando casa tudo, aí é uma maravilha.

Da pandemia para cá mudou muito; as pessoas querem deixar, de fato, os seus ambientes ainda mais com cara de casa, sim?

Sim. A pandemia foi aquela situação horrível, que não queremos mais, porém, resultou numa questão que, para nós, hoje, que trabalhamos nessa área, nos beneficiou muito. Porque muitas pessoas olharam, de fato, para a sua casa como ela é. Aí é que se deram conta de que o sofá não era tão confortável, que as cadeiras não eram tão confortáveis, que a cozinha não estava atendendo às necessidades, não estava funcional, não estava prático para o dia a dia.

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