“Serve até para alguns momentos como terapia, porque mexem na terra e isso tranquiliza o aluno”

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“Serve até para alguns momentos como terapia, porque mexem na terra e isso tranquiliza o aluno”

Rudinei Novack e Valéria Feldens – professor e coordenadora de educação

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Atualizado segunda-feira,
27 de Abril de 2026 às 10:32

“Serve até para alguns momentos como terapia, porque mexem na terra e isso tranquiliza o aluno”
(Foto: Reprodução)

Incentivar o consumo de alimentos saudáveis, cultivar a terra, aprender sobre o tempo da colheita. Estes são alguns dos benefícios que alunos de escolas da rede municipal de Morro Redondo aprendem, ao longo de todo ano, com o projeto ‘Horta em todas as casas’.

A ideia do professor Rudinei Novack, de criar uma horta comunitária, foi além do ambiente escolar: os pais dos alunos também criaram as suas no quintal de casa. O projeto concorreu – entre os melhores do país – ao Prêmio Aprende Brasil Criativo na categoria Educação para a Sustentabilidade em que conquistou o segundo lugar. A coordenadora de educação do município Valéria Feldens, destaca que a ideia é incentivar ainda mais a comunidade a ter a sua própria horta.

Como surgiu o projeto? 

Rudinei – Como professor, sempre tive minha horta e muita vontade de poder fazer mais para mais pessoas. Tirei a ideia do papel, busquei recursos públicos e conseguimos aplicar o projeto com as estufas em três escolas da cidade. Fiquei muito feliz porque a ideia saiu dos muros da escola. Lembro que antes mesmo dos recursos chegarem já tínhamos uma horta na Escola de Ensino Fundamental Barão do Rio Branco. Sempre digo que ela é o laboratório da escola e serve até para alguns momentos como terapia, porque mexem na terra e isso tranquiliza o aluno.

Qual é o reflexo da iniciativa na educação das crianças e das famílias?

Valéria – Acredito que venha ao encontro daquilo que os educadores dos sentidos procuram, que é trabalhar com as questões da comunidade e com aquilo que a gente vivencia. As teorias estão nos livros, mas elas podem ser feitas com ações na prática, porque em tempos de internet, acho que é importante a gente mostrar desde cedo que precisamos da terra para sobreviver.

A ideia inspirou a iniciativa das famílias em terem a sua própria horta. De que forma a ideia ganhou adesão além do ambiente escolar?

Rudinei – Como moro na zona rural e tenho horta em casa, percebi que a maioria das famílias dos meus alunos têm terra, porém não produziam. Com a ideia da horta na escola, comecei a distribuir sementes e mudas, e os incentivei a fazerem também. Disse que no final do ano iríamos até as casas para ver o resultado e para minha surpresa, a adesão das famílias foi praticamente unânime.

O projeto foi finalista de um prêmio a nível nacional. O que isso representa para o município?

Valéria – Não trouxemos o prêmio, mas o reconhecimento é gigantesco. Isso demostra, de fato, que das crianças aos adultos, iniciativas como essas precisam ser mais divulgadas porque eles são o futuro. Uma coisa que me preocupa muito é com a alimentação da população. Como fui professora da educação infantil, percebia que muitos alunos iam para a escola sem comer nada. A horta, além de produzir o alimento, mostra para eles de onde vem os alimentos, como são produzidos e por isso, acredito que podemos ampliar ainda mais.

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