Em entrevista ao programa Debate Regional, da Rádio Pelotense, o coordenador estadual do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), Rogério Caldas, detalhou as operações realizadas na região Sul no combate à lavagem de dinheiro de origem ilícita. O promotor de Justiça também abordou o Projeto Protetor, iniciativa do Ministério Público para recapturar os mais de 6,2 mil condenados foragidos no Estado.
Recentemente, foi deflagrada a Operação Hibernação, em Pelotas, derivada da Operação Caixa Forte 2, que tem como alvo uma organização criminosa atuante no município, cujo comando principal partia de dentro do Presídio Regional. Na ação, foi identificado o uso de um imóvel adquirido em nome de uma servidora pública para a lavagem de dinheiro.
Conforme o promotor de Justiça, essa é uma das operações conduzidas pelo Gaeco com o objetivo principal de combater a infiltração do dinheiro ilícito no mercado legal. “Verificou-se uma movimentação financeira que extrapola os limites do razoável. No momento em que há um montante de capital ilícito, ele precisa entrar no mercado e vai competir com o capital de homens de bem, podendo acabar dominando e constrangendo o mercadinho do bairro e empresas maiores, passando a tomar conta do capital lícito”, diz.
Rogério Caldas ressalta que a base do trabalho do Gaeco, assim como de outras organizações de inteligência da segurança pública, é detectar a infiltração de organizações criminosas no setor público e no sistema político e financeiro. “Porque a tríade — corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa — é o que vai nos diferenciar quanto ao avanço em democracia e sociedade moderna. Quanto mais afastarmos essa tríade, mais seremos soberanos, democráticos e livres”, aponta.
O coordenador do Gaeco esclarece que o trabalho do Grupo de Atuação Especial, além de combater a integração de recursos ilícitos ao sistema econômico legal, existe para inibir o avanço do crime organizado no estado. “Quando começa a dominar a máquina pública, controlar licitações, vira uma máfia, e o nosso papel aqui é impedir que isso aconteça. Ninguém aqui tem a ilusão de que vai acabar com o crime; precisamos deixar o crime em índices aceitáveis de civilidade.”
Projeto Protetor
À frente do Gaeco gaúcho, Caldas lançou recentemente o Projeto Protetor. A iniciativa tem o propósito de realizar uma busca focada por condenados foragidos, visando à reinserção no sistema prisional. O promotor salienta que, entre os 6.255 mandados de prisão em aberto no Rio Grande do Sul, 605 são por crimes como feminicídio, estupro de vulnerável e violência doméstica. “Estamos monitorando cada foragido, vamos ter uma operação para cada um e vamos tentar chegar ao final do ano zerando essa fila.”
Como exemplo da ação, Caldas cita a captura de um feminicida foragido há dois anos, realizada em Rio Grande. “A mãe da vítima, que morava a uma quadra, sabia que ele estava lá e veio chorando: ‘vocês vão prender finalmente quem matou a minha filha?’ Aquele choro me deu a certeza de que estamos no caminho certo.”