“Sou apaixonado pelo basquete. Saí da condição de marasmo para a vida”

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“Sou apaixonado pelo basquete. Saí da condição de marasmo para a vida”

Marco Peres – Atleta do projeto Cestou: basquete em cadeira de rodas

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Atualizado segunda-feira,
06 de Julho de 2026 às 10:35

“Sou apaixonado pelo basquete. Saí da condição de marasmo para a vida”
Marco conta que o esporte o ajudou a superar a depressão após amputação das pernas. (Foto: Reprodução)

Melhorar o condicionamento físico, proporcionar convívio social, e acima de tudo, estimular um novo olhar sobre a própria vida. Esses são alguns dos inúmeros benefícios que o projeto Cestou da Escola Superior de Educação Física e Fisioterapia  da UFPel impacta no dia-a-dia de atletas e alunos que praticam, duas vezes na semana, basquete em cadeira de rodas. São 16 anos transformando a realidade, através do esporte, de homens e mulheres. João César Araújo e Marco Peres, integrantes do Cestou e Matheus Pereira,  estudante do 4º semestre de Educação Física contam como é a rotina do projeto.

Como surgiu o Cestou?

Matheus – O projeto da UFPel em parceria com a Secretaria de Esportes, Lazer e Juventude ocorre nas terças e nas quintas com duas turmas, uma de iniciação e uma que com nosso time principal participa de competições. Por meio do esporte, em especial do basquete em cadeira de rodas, buscamos a reinserção de pessoas que possam ter passado por algum acidente, ou que tenham alguma limitação física, no esporte e a promoção de um ciclo social. O Cestou é uma grande família há 16 anos.

Como o Cestou entrou na vida de vocês?

Marco – Eu era motorista de caminhão, sofri um acidente em 2010 e tive amputação de ambas as pernas. Pensei que a vida havia encerrado. Tive os primeiros momentos, após o meu acidente, de agradecer pela vida e depois, passados alguns meses, entrei em depressão porque viajava por tudo que é canto desse Brasil e, de repente, me vi entre quatro paredes, olhando TV. Em determinado momento, uma pessoa que nem conhecia, por indicação, quis me provar que a vida poderia ser diferente. Voltei a dirigir em um carro adaptado, mas mesmo assim, faltava algo. Nesse meio tempo descobri o projeto, mas tinha certeza de que não era para mim.

A gente desconhece o nosso limite, né? Depois de um tempo resistindo, sentei na cadeira de basquete e tudo mudou. Quis desistir no início, ainda bem que fui persistente. Estou há 15 anos e sou apaixonado pelo basquete. Mudou a minha vida significativamente. Saí daquela condição de marasmo total para a vida novamente.

João – Eu sou paraplégico desde os 15 anos e meu primeiro contato no esporte foi em Brasília. Quando voltei para o Rio Grande do Sul, conheci o senhor Gilmar que me contou sobre o projeto. Como já gostava muito de esportes antes mesmo de ficar paraplégico, ganhei uma vida novamente. O Cestou chegou em 2014 e não parei mais. Não sei como seria minha vida sem o basquete porque lá é minha turma: tem outras pessoas que entendem os mesmos problemas que eu, é importante para a cabeça, para nos aceitarmos e vermos que a vida é além da cadeira.

Como estudante, qual é a importância de ter projetos como esses para a comunidade?

Matheus – É incrível porque a Esef oferece os pilares da UFPel, que é o ensino, pesquisa e a extensão. Ali é uma formação prática, porque conseguimos testar o que aprendemos em sala de aula. Todos os alunos têm um carinho muito grande pelo projeto, em especial por permanecer ativo por tanto tempo. E digo para os nossos atletas que eles são inspirações para todos nós. É um ganho social, tanto para a sociedade, quanto para eles, quanto para as famílias. O basquete, o paradesporto como um todo, tem esse poder de transformação e somos muito gratos por termos a oportunidade de vivenciarmos tudo junto aos nossos atletas.

Há uma idade mínima para participar?

Matheus – Não. O Cestou recebe tanto homens quanto mulheres, de todas as idades, tendo ou não experiência no basquete. A gente acolhe todo mundo que quiser praticar, que quiser conhecer. Não há divisão por sexo, mas de classificação funcional conforme a movimentação de tronco. É só nos visitar na Esef, na Luiz de Camões, 625, no bairro Três Vendas. Todos serão bem-vindos.

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