Cerca de 90% das rodovias estaduais são classificadas como regulares ou péssimas

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Cerca de 90% das rodovias estaduais são classificadas como regulares ou péssimas

Levantamento da Fetransul aponta infraestrutura como desafio para a produtividade do setor de transportes

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Cerca de 90% das rodovias estaduais são classificadas como regulares ou péssimas
Má condição das estradas impacta na celeridade dos caminhões, na segurança e nos custos de cargas (Foto: Jô Folha)

A Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Rio Grande do Sul (Fetransul) representa os interesses regionais do transporte rodoviário de cargas no âmbito nacional. Além disso, produz uma série de levantamentos sobre a malha rodoviária, onde são ouvidos motoristas e autoridades para um diagnóstico do dia a dia de estradas e ferrovias gaúchas, que embasam as representações.

A precariedade da infraestrutura rodoviária segue como um dos principais entraves para o transporte de cargas e para a competitividade da economia do Rio Grande do Sul. De acordo com a última pesquisa CNT de Rodovias, produzida pela entidade, cerca de 90% das rodovias estaduais foram classificadas como regulares, ruins ou péssimas.Segundo o presidente da Fetransul, Francisco Carlos Gonçalves Cardoso, a condição das estradas impacta diretamente os custos das transportadoras e, consequentemente, dos consumidores. “Quando ela [rodovia] é péssima, dobra nosso custo operacional. Hoje, no nível de qualidade em que está, o custo aumenta cerca de 37%”, afirma.

O dirigente destaca que o cenário permanece desafiador mesmo após as obras emergenciais realizadas em decorrência das enchentes que atingiram o Estado. Para ele, ainda há necessidade de investimentos em duplicações, recuperação de trechos e construção de novas rodovias.

Às vésperas de completar 35 anos de atuação, a Fetransul elenca três grandes prioridades para os próximos anos: ampliar os investimentos em infraestrutura rodoviária, incentivar políticas de sustentabilidade para renovação da frota e enfrentar a escassez de mão de obra.

A melhoria da logística passa necessariamente pela modernização das rodovias e pelo fortalecimento da integração entre os diferentes modais de transporte, condição considerada essencial para reduzir custos, aumentar a competitividade das empresas e impulsionar o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul.

Concessões são alternativa

Como aproximadamente 85% de toda a produção econômica gaúcha é transportada por caminhões, Cardoso ressalta que melhorar a infraestrutura significa reduzir custos logísticos, aumentar a segurança e tornar as empresas mais competitivas.

Diante da limitação dos recursos públicos, a Fetransul avalia que as concessões rodoviárias serão fundamentais para viabilizar os investimentos necessários. A entidade participou das discussões sobre os novos blocos de concessão estaduais e realizou pesquisas com mais de 400 motoristas e lideranças regionais para identificar as prioridades. “O entendimento é que o mais importante é garantir celeridade, segurança e uma tarifa compatível com a realidade da nossa economia”, afirma o presidente.

Hoje, o aumento de 37% no custo operacional provocado pela má qualidade das rodovias é superior ao custo dos pedágios, segundo Cardoso, e, no fim, esses custos acabam sendo repassados ao embarcador e, posteriormente, ao consumidor pelo frete.

Modal ferroviário

Embora o transporte ferroviário venha ampliando sua participação na matriz logística brasileira, principalmente no escoamento de grãos, minérios e commodities, a carga industrial continua dependendo majoritariamente das rodovias.

O transporte rodoviário mantém vantagens pela rapidez e flexibilidade, especialmente para atender à indústria e ao comércio, que operam com estoques cada vez menores e demandam entregas rápidas.

Ao comentar a situação da malha ferroviária gaúcha, o presidente da Fetransul avalia que a concessão enfrenta dificuldades e que a expansão do modal depende de maior participação do poder público. “Sem investimento público será muito difícil a ferrovia decolar no Rio Grande do Sul. É preciso mobilização de todos os setores da economia para reivindicar mais investimentos nesse modal, que é o mais indicado para o transporte de commodities”, diz.

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