Ações integradas para combate às mudanças climáticas são definidas por Pelotas e Rio Grande

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Ações integradas para combate às mudanças climáticas são definidas por Pelotas e Rio Grande

Evento passa a integrar calendário anual das duas cidades de forma permanente

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Atualizado domingo,
05 de Julho de 2026 às 11:20

Ações integradas para combate às mudanças climáticas são definidas por Pelotas e Rio Grande
(Foto: Volmer Perez)

Nos dias 25 e 26 de junho, Pelotas e Rio Grande uniram-se para um movimento de cooperação entre instituições da região voltado à construção de políticas públicas para o enfrentamento da emergência climática.

Foi debatido o contexto regional de enfrentamento aos eventos extremos e construída uma carta conjunta de intenções que irá nortear a temática na região.

Promovido pelas prefeituras de Pelotas e Rio Grande, universidades federais das duas cidades, pelo Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) e pelo Instituto Federal de Educação (IFRS) campus Rio Grande, as instituições reafirmam seu compromisso com a construção de uma agenda regional para o enfrentamento das mudanças climáticas e para a promoção do desenvolvimento sustentável no sul do Rio Grande do Sul.

A partir dos eixos temáticos debatidos, foi reconhecida a necessidade de fortalecer a cooperação entre o poder público, a comunidade científica e a sociedade, promovendo respostas integradas, baseadas em evidências científicas, planejamento territorial e participação social.

Além disso, as lideranças afirmaram que os desafios apresentados pelo contexto climático de El Niño e maior recorrência de eventos climáticos extremos, evidenciam a importância de uma governança regional capaz de integrar conhecimentos, políticas públicas e ações coordenadas.

O secretário de Meio Ambiente de Rio Grande, Antônio Soler, reforçou a importância de tornar a COPSul permanente nas agendas da pauta climática regional e comemora o que considera um marco histórico para a Zona Sul. Segundo ele, a união das instituições e dos agentes, nos dois dias de evento, demonstra que há vontade política de transformar a realidade vivenciada. “Agora nós temos que pensar a partir daqui, como é que nós vamos implementar essas questões, e quem sabe no ano que vem ter uma COP com ainda mais pessoas, com mais instituições, para que a gente possa, efetivamente, enfrentar a emergência climática com proteção ambiental, com justiça social e com justiça climática”, disse.

Carta do Canal de São Gonçalo

Ao final do evento, foi apresentado à comunidade um documento que consolida as propostas coletivas discutidas ao longo dos eixos temáticos do evento. Assinada pelos representantes das instituições que integraram a elaboração da chamada “Carta do Canal de São Gonçalo”, foi estabelecido o compromisso com a construção de uma governança regional sólida baseada na cooperação em ciência e poder público, na transparência, na participação social e na implementação de políticas públicas voltadas à sustentabilidade e à resiliência climática. Também foi assumido o compromisso de transformar os resultados da COPSul em ações concretas, permanentes e monitoradas, consolidando o sul do Brasil como referência nacional em governança territorial para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Entre os compromissos contidos na carta estão: instituir o Comitê Sul sobre Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável; fortalecer a ciência como base para as políticas públicas; implantar um sistema regional de monitoramento permanente; promover a cooperação regional; e consolidar a Conferência Sul sobre Mudanças Climáticas como um espaço permanente de diálogo, participação, monitoramento e avaliação das políticas regionais.

Até a próxima edição, os organizadores pretendem promover debates preparatórios tendo o Bioma Pampa como eixo central das discussões, envolvendo não só a região Sul do Estado, como os países vizinhos, Uruguai e Argentina, onde já existem iniciativas em andamento.

Integração

Uma das principais marcas que a COPSul pretende estabelecer é o debate e a elaboração de ações ambientais conjuntas entre as cidades da Zona Sul e também entre os diferentes entes que compõem a sociedade, englobando desde poder público, entidades, instituições e sociedade civil. “Para que a gente possa, em rede, construir possibilidades de agir em uma agenda que é tão difícil de concretizar, tendo em vista os diversos interesses que acabam se confrontando, sob o ponto de vista mundial”, afirmou Soler.

Entre as possibilidades citadas pelo secretário e que já estão sendo aprofundadas no município, está a atenção para a educação ambiental. Segundo ele, trabalhar a questão climática com as crianças é projetar que, no futuro, consigam fazer a transformação que hoje é papel dos adultos. “A gente não consegue construir uma solução para o clima sem governos comprometidos e a democracia fortalecida”, destacou.

No mesmo sentido, o diretor do Instituto Federal de Educação (IFRS) campus Rio Grande, Carlos Fernandes Júnior, reforçou a importância do evento para a região e destacou a necessidade de ampliação e representatividade das instituições de ensino para que as discussões climáticas possam abarcar, da melhor forma possível, as necessidades da região Sul.

Pesquisa

A vice-reitora do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), Lia Pachalski, sugeriu que o evento deveria ser replicado para diversas áreas, uma vez que a integração promove a participação efetiva dos pesquisadores, que podem contribuir na quebra da dualidade entre natureza e ser humano, historicamente construída. “O papel das instituições também é pensar em currículos transdisciplinares, para não deixar que o peso fique todo nas pessoas que se debruçam sobre essa temática. Nós estamos cumprindo um papel aqui que é essencial que é espalhar essa discussão da COP30 para os nossos territórios”, disse.

Ainda sobre a atuação das instituições de ensino, o vice-reitor da Furg, Edinei Primo, afirma que não é possível pensar em sustentabilidade e desenvolvimento do território se não houver atuação integrada nos processos.

Primeira edição

Em 2025, Pelotas recebeu a Copsul paralelamente a COP 30, que estava acontecendo em Belém do Pará, trazendo para o contexto regional os debates que ocorreram no evento internacional. A ideia da COPSul surgiu por demanda de diversos atores sociais que gostariam de participar do evento em Belém, mas que também entendiam a necessidade de territorializar a discussão para uma efetiva transformação do tema ambiental na região.

O vice-reitor da UFPel, Eraldo Pinheiro, retomou o momento vivido pela região, considerado ímpar pelas oportunidades que estão surgindo. “A UFPel está totalmente envolvida com essa atividade, porque precisamos estar nos debates para realmente causar impacto no nosso território”, garantiu.

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