O futuro está no foco

Editorial

O futuro está no foco

O futuro está no foco
(Foto: Dudu Leal)

Nesta semana, a Fiergs promoveu em Pelotas mais um encontro com empresários. Em um dos pontos da apresentação, foram apontadas as características econômicas da Zona Sul. Apesar de uma população de 1 milhão de pessoas – 9,5% do RS – a região tem apenas 4,9% dos estabelecimentos industriais gaúchos, com 2.593 empresas, que geram 37.240 empregos e Valor Adicionado Bruto total de R$ 42,9 bilhões, 8,5% do total gaúcho. A partir daí, podem-se ampliar reflexões. Afinal, os números mostram que a região é de fato menos industrializada que a média gaúcha. Mas é preciso entender as razões históricas que levaram a esse cenário e, acima disso, compreender os passos para mudar isso, ou mesmo realinhar nossas vocações.

É preciso compreender a gênese das regiões gaúchas. Enquanto a Zona Sul vem de um berço escravagista com fins exploratórios, outras áreas, como Serra e Vales, tiveram uma migração com foco em permanência em subsistência. Outro ponto é que raríssimas dessas empresas vieram de fora. Basta olhar para seus nomes. São criadas por moradores daquelas regiões. Talvez tenha faltado foco ou incentivo no passado aqui, mas fato é que essa barca passou e agora só esperar que uma grande indústria ou um grande segmento brote do nada, é ilusão. É preciso tornar-se atraente e fazer por valer as nossas capacidades.

Por exemplo, somos um berço de formação intelectual e científica. Estamos bem servidos de malhas aeroviárias, ferroviárias, hidroviárias e rodoviárias. Temos áreas de sobra, a grande maioria em localização de segurança hídrica, sem possibilidade de alagamento. Ao mesmo tempo, temos boa disponibilidade de água e estamos pertos da região portuária. Ou seja, há possibilidades aos montes. Mas, muito mais do que listá-las é preciso agir. Fica a cada dia mais claro que a região não pode esperar boa vontade política externa, e que se for esperar um movimento estatal para atrair grandes negócios, vai esperar sentada. É preciso que empresários daqui se unam e incentivem novos empreendedores e que as capacidades sejam identificadas e estimuladas pelas entidades e organizações. Esse é o futuro. Aí deve estar o foco.

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