A Costa Doce Gaúcha dispõe de lagoas, rios, patrimônio histórico, gastronomia, além de uma extensa faixa litorânea. Mesmo assim, especialistas que participaram da programação desta quinta-feira (11), do Seminário Regional de Turismo da Costa Doce, lamentam que a região ainda explore apenas parte do seu potencial turístico e econômico.
Durante o painel sobre economia azul e turismo náutico, o empresário catarinense Álvaro Ornellas defendeu que o principal desafio não está na falta de atrativos, mas na ausência de planejamento integrado entre os municípios e de informações estruturadas para atrair investidores.
Segundo ele, o chamado “mar de dentro” – conjunto formado pela Laguna dos Patos e pelos rios – representa uma série de chances ainda pouco aproveitadas pela região. “É um mar, sim, de oportunidades. O que falta é um alinhamento técnico entre os municípios para criar um território de prosperidade e facilitar a chegada de novos investimentos”, afirmou.
Turismo náutico é uma oportunidade
Ornellas destacou que cidades com características semelhantes já conseguiram transformar seus mananciais em motores econômicos. Para ele, antes de grandes obras, é necessário organizar o território, revisar legislações e oferecer segurança para investidores interessados em desenvolver atividades ligadas à água.
Não é a primeira vez que o empresário visita a Zona Sul. Desta vez, ele observou uma mudança de postura entre os municípios da região. “Ontem [quarta-feira] vimos secretários de Pelotas e Rio Grande falando juntos sobre desenvolvimento. Isso mostra que existe uma percepção diferente e um entendimento maior sobre o potencial que a região possui”, avaliou.
Mais do que sustentabilidade
Na abertura da programação da tarde, a especialista em turismo regenerativo Luciana Delamare. Segundo ela, o conceito de turismo regenerativo vai além da preservação ambiental e propõe uma relação mais profunda entre as comunidades e seus territórios. “A regeneração exige uma transformação na forma como as pessoas enxergam sua responsabilidade na melhoria do mundo e do lugar onde vivem”, explicou.
Para a pesquisadora, antes de pensar em produtos turísticos é preciso compreender a identidade das comunidades e os desafios enfrentados pelos moradores. “Precisamos perguntar quem somos, qual é a nossa paisagem e quais são as dores desse território. Sem compreender isso, acabamos criando soluções superficiais”, afirmou.
Reconhecer o valor da região
Em relação à região, Luciana destacou que há muitas características capazes de atrair visitantes. Ela citou as paisagens naturais, o patrimônio histórico, a diversidade econômica e a riqueza cultural como diferenciais que precisam ser valorizados. “Existe um potencial que não precisa ser reconhecido apenas no futuro. Ele já existe hoje”, ressaltou.
Até 2027
As palestras fizeram parte da programação do segundo e último dia do seminário. Ao fim do evento, foi realizada a premiação aos destaques do setor entre 2025 e 2026 nos segmentos de Turismo no Meio Rural, Agências Receptivas, Hotelaria e Serviços de alimentação.
