Preta Roza inspira premiação e livro sobre a própria trajetória

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Preta Roza inspira premiação e livro sobre a própria trajetória

Livro com texto e ilustrações de artistas da Zona Sul será lançado durante a 2ª edição de Medalha criada pela deputada Laura Sito

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Atualizado sexta-feira,
05 de Junho de 2026 às 09:41

Preta Roza inspira premiação e livro sobre a própria trajetória
Roza se tornou símbolo da resistência negra feminina (Ilustração: Alissom Afonso)

No dia 13 deste mês, o Centro de Eventos Barros Cassal, na capital gaúcha, será o cenário do lançamento do livro Preta Roza e da entrega da medalha homônima. A obra literária, que resgata a trajetória de uma das maiores guerreiras da resistência negra do Rio Grande do Sul no século 19, conta com ilustrações do cartunista Alisson Affonso e roteiro de Vera Macedo e Duda Keiber. O trio repete a parceria de Os quilombolas do General Manoel Padeiro, lançado no ano passado pela Otroporto Indústria Criativa, e mantém a política de distribuição gratuita para o público.

O lançamento acontece simultaneamente à entrega da Medalha Preta Roza, honraria idealizada pela deputada estadual Laura Sito (PT) que chega à sua segunda edição. Integrada às celebrações do Julho das Pretas e ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, a iniciativa funciona como um gesto de reparação simbólica e política. Este ano, o prêmio amplia substancialmente seu alcance, homenageando mais de 300 mulheres negras de dezenas de frentes de atuação, como política, cultura, saúde e educação, vindas de mais de 90 municípios gaúchos.

Mulheres do Sul também

A região Sul do Estado mantém um vínculo profundo com a premiação. Além de ser o território histórico onde a protagonista viveu e lutou, a região já havia sido palco de uma edição própria da honraria em 2025, quando uma solenidade em Pelotas condecorou 90 lideranças locais. Nesta edição centralizada em Porto Alegre, a expressiva participação de mulheres do Sul reforça o protagonismo e o legado das comunidades daquela área na construção de uma sociedade mais justa.

Primeira edição do prêmio ocorreu no ano passado (Foto: Divulgação)

O nome da medalha e o enredo do livro jogam luz sobre uma figura real da década de 1830 que foi invisibilizada pela história oficial. Escravizada e combatente ativa no Quilombo de Manoel Padeiro, na Serra dos Tapes, Preta Roza atuava na linha de frente armada e como estrategista, chegando a se disfarçar com trajes masculinos para circular em espaços de poder e obter informações valiosas. Frequentemente comparada à Rainha Nzinga de Angola, ela foi morta em combate no dia 16 de junho de 1835, transformando-se em símbolo de resistência.

Complexidade da heroína

Visualmente, o novo livro busca traduzir a complexidade dessa heroína gaúcha. O ilustrador Alisson Affonso explica que, embora a obra dialogue com o volume anterior, Preta Roza – Uma história possível adota cores mais intensas para dar conta da personalidade intrigante da biografada. Produzidas de forma inteiramente orgânica com nanquim, grafite e aquarela, as ilustrações buscam comunicar as atmosferas melancólicas da paisagem e a extrema seriedade do tema, expandindo um repertório histórico que permaneceu encoberto por décadas. “As técnicas comunicam atmosferas e ambientações melancólicas da paisagem e também da extrema seriedade do tema”, diz o artista.

Afonso conta que teve conhecimento de parte da história da Preta Roza, nas pesquisas que realizou junto a Duda Keiber para o livro Os quilombolas do Manoel Padeiro. “Toda a obra relacionada acaba ampliando um repertório que nos foi acobertado durante décadas”, fala o ilustrador.

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