Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher amplia atendimento em mais duas horas

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Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher amplia atendimento em mais duas horas

Especializada fica aberta até às 20h na rua Barros Cassal, 516, e Salas das Margaridas mantém atendimento 24 horas

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Atualizado terça-feira,
02 de Junho de 2026 às 14:21

Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher amplia atendimento em mais duas horas
(Foto: Cíntia Piegas)

A violência doméstica continua sendo uma realidade presente na vida de centenas de mulheres em Pelotas. Ao mesmo tempo, cresce a procura por ajuda e pelos mecanismos de proteção disponíveis na rede de atendimento do município. Com o objetivo de facilitar o acesso das vítimas aos serviços especializados, a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) ampliou em duas horas o horário de funcionamento de sua sede, passando a atender até as 20h.

De acordo com a delegada Márcia Chiviacowsky, a mudança busca oferecer mais oportunidades para que as mulheres consigam procurar auxílio. “As vítimas gostam de vir até a Delegacia da Mulher para fazer seus registros de ocorrência, conversar e relatar a situação de violência que estão vivendo. Com a ampliação do horário, elas terão mais tempo para procurar atendimento”, afirma.

Segundo a delegada, ao chegar à unidade, a mulher recebe acolhimento e orientação sobre todos os recursos disponíveis. Além do registro da ocorrência, a equipe esclarece sobre o direito à solicitação de medidas protetivas de urgência e os demais serviços da rede de proteção. “Se ela não se sentir segura para voltar para casa, pode ser encaminhada para acolhimento em local protegido. Também auxiliamos na recuperação de pertences quando a vítima precisou sair de casa apenas com a roupa do corpo”, explica.

Após o registro, a delegacia instaura o inquérito policial e realiza os encaminhamentos necessários. As vítimas também são orientadas a buscar acompanhamento no Centro de Referência da Mulher. “É um serviço extremamente qualificado, com assistentes sociais e psicólogos preparados para ajudar a mulher a manter a decisão de romper o ciclo da violência”, destaca.

Atendimento 24 horas

Márcia ressalta que a ampliação do expediente na sede não altera o atendimento permanente às vítimas. “A mulher continua tendo atendimento 24 horas para registrar situações de violência. Fora do horário da Delegacia da Mulher, esse acolhimento é realizado na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento, onde existe uma sala específica para esse atendimento”, observa.

Realidade em números

Os dados mostram a dimensão do problema enfrentado no município. Entre janeiro e abril deste ano, Pelotas registrou quatro tentativas de feminicídio, mas nenhum caso consumado. No mesmo período, foram contabilizadas 266 ocorrências de lesão corporal e 359 ameaças relacionadas à violência doméstica. Desde o início do ano até esta semana, 955 medidas protetivas de urgência foram solicitadas, enquanto 1.054 permaneciam em vigor, evidenciando o número de mulheres amparadas judicialmente. Atualmente, 29 agressores são monitorados por tornozeleira eletrônica.

Rede de apoio à mulher

Para a delegada, a ausência de feminicídios consumados em 2026 está diretamente ligada à atuação integrada da rede de proteção. “Pelotas tem uma rede de atendimento à mulher que é referência no Rio Grande do Sul. Temos a Delegacia da Mulher, o Juizado da Violência Doméstica, a Defensoria Pública, o Centro de Referência da Mulher, a Patrulha Maria da Penha da Brigada Militar e a Guarda Municipal atuando de forma articulada”, afirma.

Ela acredita que essa estrutura contribui para que as vítimas busquem ajuda antes que a violência alcance níveis extremos. “A mulher consegue nos procurar antes, seja na delegacia, no Judiciário, na Defensoria ou nos demais serviços. Isso ajuda a evitar que a situação evolua para um feminicídio”, avalia.

Outro diferencial apontado pela delegada é a qualificação dos profissionais que atuam diretamente com as vítimas. “Muitas vezes a mulher não consegue contar tudo o que está vivendo. O formulário de avaliação de risco ajuda, mas nada substitui o olhar atento e o contato direto. Os profissionais conseguem perceber sinais que nem sempre aparecem no relato inicial. Esse olhar diferenciado faz toda a diferença”, conclui.

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