Por: Cíntia Piegas
Há 83 anos
A história do voo do avião Cidade de Pelotas ao Rio de Janeiro está diretamente ligada ao pioneirismo de Joaquim da Costa Fonseca Filho, inventor pelotense que construiu suas próprias aeronaves. Em 19 abril de 1939, o Diário Popular noticiava, como furo de reportagem, que o ilustre engenheiro estava construindo em seu porão, na casa da rua Gonçalves Chaves, um pequeno avião, o F1.
Dois anos depois, o F1 virou o F2, batizado Cidade de Pelotas. Em uma façanha incomum para a época, em abril de 1943, voou sozinho de Pelotas até a então capital do país em um avião de sua autoria, o modelo F2. A viagem durou 13 horas e 14 minutos, enfrentando forte vento contrário e incluindo quatro escalas, Porto Alegre, Florianópolis, Paranaguá e Santos, até chegar ao destino.
O objetivo da viagem era apresentar a aeronave ao ministro da Aeronáutica, Salgado Filho. No dia do feito, ele estava acompanhado de Assis Chateaubriand, maior incentivador da campanha : “Dê asas à juventude”, que visava dotar o Brasil de aviões e aeródromos. O objetivo do inventor era obter autorização para instalar uma fábrica de aviões em Pelotas.
No Rio de Janeiro, o Cidade de Pelotas passou por diversos testes técnicos e práticos, sendo aprovado com bom desempenho e considerado adequado para treinamento e uso leve. Durante cerca de 40 dias na capital, Joaquim ainda realizou outros voos com o avião, inclusive realizando três perigosas manobras, reforçando a confiabilidade do projeto.
Apesar do sucesso técnico e do reconhecimento recebido, o projeto de industrialização nunca saiu do papel. Na primeira alegação, a madeira brasileira não seria qualificada para a construção de aviões. Além disso, Joaquim Costa enfrentou entraves políticos e burocráticos, além da oposição de grupos que ele chamava de “antiaéreos”. A licença para produzir o avião em série foi negada, frustrando o plano de transformar Pelotas em um polo aeronáutico.
Depois de 40 dias na primeira capital do Brasil, e muitas decepções, o Diário de Notícias de Porto Alegre anunciava o retorno – de avião – do inventor juntamente com sua esposa Elda Neutzling Fonseca, em 11 horas de viagem. Inicia-se então a saga pelo licenciamento. Este, no então, não chegou. O que veio foi uma carta no início do ano de 1944, em Inglês, informando que seu avião não poderia ser fabricado em série.
O modelo de dois lugares e duplo comando, movido por um motor Franklin, de 80 cavalos, com 10,50 metros de envergadura e 6,68 metros de comprimento, monoplano de asa alta e pesando 340 quilos tinha autonomia de voar por cinco horas a uma velocidade de 135 quilômetros por hora. Além disso, era 40% mais barato que um importado. Em 1945, foi vendido por Cr 45 mil, segundo informou o coronel Schwanke.
A história do aviador Joaquim Fonseca é contada em vários livros de história, mas foi na canção de Vitor Ramil de 1984, a saga de “Joquim” instigou muitos pelotenses.
Fonte: Lourenço Cazarré – Livro A Língua de Pelotas e Outras Barbaridades
Há 90 anos

O sindicato convocou seus associados e comerciários em geral a colaborarem diretamente com a fiscalização (Foto: Reprodução)
Há cerca de 90 anos, a diretoria do Sindicato do Empregados no Comércio de Pelotas reunia-se para tratar de medidas que reforçariam a defesa dos direitos dos trabalhadores do comércio. Na ocasião, os dirigentes comunicaram aos demais associados que haviam recebido da Inspetoria Regional do Ministério do Trabalho autorizações oficiais concedendo a alguns sócios o poder de fiscalizar o cumprimento das leis sindicais na cidade, especialmente aquelas relacionadas ao horário de funcionamento do comércio. Investidos dessa atribuição, esses representantes poderiam autuar comerciantes em caso de irregularidades.
A notícia marcava o início de uma atuação mais rigorosa. A diretoria anunciava que, em breve, seria desencadeada uma forte campanha contra estabelecimentos que insistiam em descumprir a legislação, com atenção especial aos armazéns de secos e molhados, conhecidos por não respeitarem sequer o descanso dominical. O sindicato convocou seus associados e comerciários em geral a colaborarem diretamente com a fiscalização. Eles deveriam comparecer à sede da entidade nas noites de terça, quinta e sábado, entre 20h e 22h, para relatar e registrar os nomes dos comerciantes que desrespeitassem as normas.
Há 50 anos
Criada a Sociedade dos Amigos dos Discos Voadores
Há cerca de 50 anos, Pelotas assistia ao surgimento de uma iniciativa curiosa e, para muitos, inusitada. Era fundada a Sociedade dos Amigos dos Discos Voadores, uma entidade que nascia com um objetivo ousado para a época: tentar estabelecer comunicação com os chamados Objetos Aéreos Não Identificados, os OVNIs. Instalada na rua Bento Martins, a sociedade organizava-se de forma simples e aberta. Não cobrava anuidade de seus integrantes, solicitando apenas contribuições voluntárias para manter suas atividades. À frente da iniciativa estavam seus sócios dirigentes: Olavo Caldeira, na presidência; Orlando Bitencourt, como vice-presidente; e Adilson Tapajós, responsável pela secretaria.
Embora a proposta pudesse soar absurda à primeira vista, ela refletia um momento em que o imaginário coletivo estava cada vez mais permeado por questionamentos sobre o desconhecido e o lugar da humanidade no universo. Nesse contexto, a criação da sociedade não apenas chamava atenção pela originalidade, mas também evidenciava um tipo de inquietação que marcava aquele período, a curiosidade sobre o que poderia existir além dos limites conhecidos da Terra.