Quatro cães são mortos por envenenamento em uma semana em Canguçu

Maus-tratos

Quatro cães são mortos por envenenamento em uma semana em Canguçu

Casos recentes em diferentes bairros levantam alerta; falta de registros formais impede investigação policial

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Atualizado quinta-feira,
16 de Abril de 2026 às 15:42

Quatro cães são mortos por envenenamento em uma semana em Canguçu
(Foto: Monique Pinheiro)

Pelo menos quatro cães foram mortos por envenenamento em Canguçu ao longo desta semana, em casos registrados no bairro Teixeiras e no loteamento Colina Verde. As ocorrências, que não são isoladas segundo moradores, voltam a expor um problema antigo no município: a recorrência de maus-tratos e a dificuldade de identificação dos responsáveis.

Um dos episódios mais recentes aconteceu na noite de terça-feira (14), no bairro Teixeiras. Três animais foram intoxicados e dois deles morreram. O caso ocorreu em uma rua sem saída, onde os pátios das casas dão acesso a uma área de mato.

Uma moradora relatou nas redes sociais que os cães chegaram a ser socorridos após apresentarem os primeiros sinais de envenenamento, mas não resistiram. “Prestamos socorro na hora que vimos que já estavam se debatendo, mandamos mensagem para pedir ajuda, mas não deu tempo. A maldade já havia sido feita”, escreveu.

(Foto: Liziane Stoelben)

Na mesma semana, outro caso foi registrado no loteamento Colina Verde, nas proximidades da Nutrisa. Segundo relato, o veneno teria sido colocado dentro do canil, e o animal morreu agonizando. Tutores evitam se identificar por medo de represálias.

Problema antigo

Morador do bairro Teixeiras e integrante do grupo Amigos de Pelo, entidade que cuida de cães na região, Piero Camargo afirma que as intoxicações não são novidade na cidade. “Os casos são antigos aqui em Canguçu. Ocorrem há muito tempo, até mesmo dentro dos pátios”, relata.

Segundo ele, apesar da gravidade, não há um padrão claro na forma de atuação. “O único padrão é que, na grande maioria, acontece nos bairros. Temos poucos casos no centro”, salienta.

O grupo recebe com frequência pedidos de ajuda e relatos de situações semelhantes. Camargo também relata que os casos de envenenamento costumam ocorrer em “ondas”, ou seja, se concentram em determinados períodos, com vários registros em sequência, mas não há um levantamento oficial. “No que diz respeito a maus-tratos em geral, os relatos são praticamente diários”, afirma.

Além da violência, o medo também é um fator presente entre os moradores. Muitos ainda têm receio de denunciar e sofrer represálias, inclusive contra os próprios animais.

Falta de registros impede investigação

Apesar da repercussão dos casos, a Polícia Civil afirma que não há registros recentes que permitam a abertura de investigação.

Segundo o delegado titular em Canguçu, Luciano Cabrera, a ausência de denúncias formais impede a atuação do Estado. “Sem um registro formal, não conseguimos dar início a uma investigação, porque precisamos de mais detalhes, como local, circunstâncias e provas”, explica.

O delegado ressalta que relatos genéricos não são suficientes para responsabilizar suspeitos. “A gente precisa colher elementos, porque o trabalho ao final é encaminhado ao Poder Judiciário. Sem essas informações, não há como avançar”, afirma.

Cabrera também fez um apelo para que a comunidade procure a delegacia. “É importante que as pessoas registrem ocorrência. Assim o Estado toma ciência da situação e pode atuar”, completa.

Apelo por conscientização

Diante do cenário, protetores reforçam a necessidade de medidas preventivas. Camargo orienta que os animais sejam mantidos em ambientes seguros e, ao saírem, conduzidos com guia, para reduzir os riscos que envolvem a exposição, como atropelamentos, brigas com outros cães e envenenamento, por exemplo.

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