Em entrevista ao programa Debate Regional desta quarta-feira (8), o empresário Fabiano de Marco, cofundador da Idealiza, empresa responsável pelo Parque Una, fez um comentário que deve servir de lição: em Pelotas, há muitas pessoas bem-intencionadas e grande capital intelectual. Mas há um distanciamento entre empresários, academia e políticos. “Uma cidade em que academia, empresariado e Executivo não se dão bem, não é uma cidade civilizada (…) parece tão elementar que essas forças deveriam cooperar mais”, apontou o empresário.
Esse é um ponto fundamental que fala diretamente sobre o desenvolvimento do município. De nada adianta haver potencialidades aos montes, se quem toma decisão e tem capacidade de resolver está distante. Em uma analogia com o período de Copa do Mundo, é óbvio que mesmo um time com 11 craques não irá funcionar se um não tocar a bola para o outro, nem voltar para marcar. Por isso, a cooperação dos diversos segmentos é essencial para que as coisas saiam do papel. Quando cada um senta na sua mesa, com os seus iguais, e olha atravessado para os outros, não saímos do lugar. Não há intercâmbio de ideias, não há conexão e não há sequer espaço para a divergência.
É preciso compreender que cada ator tem um papel fundamental no andamento da nossa sociedade. Sem as ideias da academia, estagnamos. Sem a coragem do empreendedor, também seguimos parados. E sem um poder público atuante, nada funciona. O alinhamento entre as três partes, tão pujantes na nossa comunidade, não precisa ser ideológico ou mesmo um casamento. Mas é preciso de respeito e cooperação para que todos saiam do lugar.
Pelotas só vai ir em frente quando vaidades foram deixadas de lado em prol do desenvolvimento coletivo. E é aí que está o segredo: é quase impossível vencer sozinho. A grande vitória é quando o ambiente inteiro for impactado pelas possibilidades de colocarmos toda nossa potencialidade em prática. Até lá, se seguirmos repetindo erros, vamos viver sendo a cidade do futuro, sem nunca de fato ser.
