Venezuelanas em Pelotas temem desdobramentos da tragédia em país natal

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Venezuelanas em Pelotas temem desdobramentos da tragédia em país natal

Mulheres citam a possibilidade do governo impedir a chegada de ajuda humanitária em meio à crise na nação

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Venezuelanas em Pelotas temem desdobramentos da tragédia em país natal
(Foto: Luisana Solano - ONU)

A sucessão de terremotos que atingiu a região metropolitana de Caracas, na Venezuela, no último dia 24, deixou, conforme a contagem mais atual, mais de 2,6 mil mortos e milhares de pessoas desabrigadas. Muitos dos venezuelanos que estão longe de casa acompanham com apreensão a situação e lamentam não ter como ajudar. Em Pelotas, a preocupação é compartilhada por quem passou horas tentando contato com familiares e agora acompanha, à distância, a situação humanitária que se agrava no país.

Segundo a Agência da Organização Mundial das Nações Unidas (ONU) para Refugiados (ACNUR), cerca de 16 mil pessoas foram afetadas pelos tremores. Muitas precisaram abandonar suas casas e buscar abrigo em igrejas, escolas e instalações improvisadas.

A empreendedora Karlin Crespo, 40, nasceu em Caracas, mas morou os primeiros 15 anos em Santa Teresa Del Tuy, no estado de Miranda, até começar a graduação em Enfermagem. Em dezembro do ano passado decidiu viver em Pelotas, onde recentemente abriu o Café Del Sur. O amor pela terra natal se revela no empreendimento dela com o marido pelotense. Um café, que reúne ingredientes brasileiros com venezuelanos e vai desde a gastronomia tradicional até pratos típicos do país latino, é a forma dela de manter suas raízes em solo pelotense.

Ela conta que a comunicação com a família foi interrompida logo após os dois terremotos registrados na noite do dia 24. Somente cerca de duas horas depois conseguiu confirmar que pais e irmãos, moradores do Estado de Miranda, estavam em segurança. “A comunicação ficou intermitente e, depois, meus pais ficaram cerca de 12 horas sem energia elétrica. Foi um período de muita angústia até conseguir notícias”, relata.

Apesar do alívio ao saber que a família não foi atingida, Karlin afirma que acompanha com preocupação os relatos que chegam da Venezuela. Ela explica que, além da destruição provocada pelos tremores, há receio em relação à distribuição da ajuda humanitária. “Seria irresponsável da minha parte incentivar doações sem poder garantir que elas cheguem às mãos certas. Existem denúncias de que parte da ajuda estaria sendo retida pelas forças de segurança”, afirma.

A angústia de não poder ajudar

A comunicadora e embaixadora da Aliança Empreendedora, a venezuelana Gioconda Alfaro, conseguiu contato com familiares ainda no dia dos primeiros tremores. Eles vivem a cerca de 200 quilômetros da capital e não tiveram danos, mas acompanham de perto a situação em Caracas e nas cidades mais atingidas. “Cada pessoa encontrada com vida representa uma esperança para todos nós que estamos longe. O mais difícil é sentir que não podemos fazer mais para ajudar”, diz.

Ela explica que organizações formadas por venezuelanos no Brasil começaram a se articular para arrecadar alimentos, produtos de higiene, roupas e outros itens de primeira necessidade. A intenção é organizar o envio da ajuda por meio de entidades que atuam diretamente na assistência às vítimas. “Neste momento, a união faz toda a diferença. Lembro do que aconteceu no Rio Grande do Sul. A força da solidariedade de tantas pessoas ajudou a amenizar o sofrimento de quem perdeu tudo. Espero que possamos fazer o mesmo pela Venezuela”, afirma.

Mobilização

Especialistas em ajuda humanitária orientam que doações internacionais sejam realizadas por meio de organizações reconhecidas, que possuem estrutura para distribuir alimentos e itens de primeira necessidade. “É totalmente decepcionante como a Guardia Nacional da Venezuela, ao invés de estar de mão com o povo, abraçou o regime e não queria soltar dele, nem sequer neste momento que são vidas que estão em risco, que a cada minuto conta”, lamenta Gioconda.

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