“Não podemos admitir vidas perdidas”, diz Eduardo Leite

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“Não podemos admitir vidas perdidas”, diz Eduardo Leite

Governador reuniu prefeitos da Zona Sul em Pelotas e apresentou projeções para o El Niño, obras contra cheias e reforço no sistema de monitoramento climático

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“Não podemos admitir vidas perdidas”, diz Eduardo Leite
(Foto: Mauricio Tonetto)

Pelotas recebeu o encontro regionalizado do Prepara RS – El Niño na Região Sul. A agenda, realizada no auditório da UCPel, reuniu o governador Eduardo Leite, o prefeito Fernando Marroni, representantes da Defesa Civil, secretários estaduais e prefeitos da região para tratar dos riscos climáticos previstos para os próximos meses.

A apresentação técnica detalhou o prognóstico climático, os efeitos esperados do El Niño, os investimentos em monitoramento, obras de proteção contra cheias e a necessidade de atualização dos planos municipais de contingência. A secretária da Reconstrução Gaúcha, Ângela Oliveira, afirmou que a estratégia apresentada é resultado de um trabalho iniciado após a tragédia climática do ano passado. “É um plano que não começa agora, é feito desde as enchentes de 2024”, disse.

O governo trabalha com a perspectiva de um El Niño de forte intensidade, mas evitou tratar a previsão como repetição automática da enchente de 2024. Eduardo Leite destacou que eventos extremos dependem de uma combinação de fatores, como volume de chuva, duração da precipitação, local onde a chuva ocorre, comportamento dos rios e, na Região Sul, também os efeitos sobre a Lagoa dos Patos.

O governador lembrou que o Rio Grande do Sul já teve outros episódios fortes de El Niño, como em 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016. Em 2015, quando era prefeito de Pelotas, a região enfrentou inundações, especialmente no Laranjal e em municípios próximos à Lagoa dos Patos. Mesmo com essa cautela, Leite reforçou que os impactos devem ocorrer e que o Estado precisa estar preparado. A prioridade, segundo ele, é evitar mortes. “Não podemos admitir vidas perdidas”, afirmou. Em outro trecho, completou: “Vamos ter mais chuvas, volumes maiores. Essa é a perspectiva e, portanto, precisamos estar especialmente preparados”.

A apresentação mostrou que os efeitos típicos do El Niño no Sul do Brasil são chuvas acima da média, principalmente na primavera e no início do verão, com maior risco de tempestades e eventos extremos. Os primeiros sinais podem aparecer ainda no inverno, mas o período de maior atenção começa entre setembro e novembro. O pico de influência foi projetado entre outubro de 2026 e janeiro de 2027.

A Defesa Civil também reforçou que a intensidade do El Niño não determina sozinha os impactos locais. A posição do aquecimento no Pacífico, as condições do Atlântico e a variabilidade atmosférica podem alterar os efeitos em cada região. Por isso, o Estado afirma acompanhar o conjunto de fatores, e não apenas o índice climático.

Um dos principais pontos da apresentação foi o reforço no monitoramento. Coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil, o coronel Luciano Boeira, afirmou que o Estado está ampliando a rede de radares meteorológicos e de estações hidrometeorológicas. “Nosso sistema de radar vai ser o melhor do Brasil”, disse.

Segundo o Estado, os novos radares terão área de vigilância de até 400 quilômetros para tempestades severas. Também estão previstos R$ 47 milhões para 130 novas estações hidrometeorológicas, cobrindo as 25 bacias hidrográficas do Rio Grande do Sul. Os equipamentos terão baterias, painéis solares e estrutura mais robusta para seguir funcionando durante eventos climáticos severos.

A apresentação também detalhou investimentos em reconstrução e reforço dos sistemas de proteção contra cheias. No Programa Fundo a Fundo Reconstrução, o Estado listou intervenções em estações de bombeamento, comportas, diques, hidrojateamento, redes de drenagem e equipamentos. Os valores apresentados somam mais de R$ 520 milhões.

No recorte da 4ª Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil, Pelotas concentra o maior volume de projetos em licitação, com R$ 56,8 milhões previstos. O pacote inclui rede de drenagem, intervenção na Barragem Santa Bárbara, estudos geotécnico e hidrodinâmico do Sistema Laranjal, estudos de bacias, diques e sistemas de bombeamento, além de projeto e obras do Sistema Laranjal.

Rio Grande aparece com R$ 1,2 milhão para limpeza e desobstrução de redes de drenagem. São Lourenço do Sul tem R$ 2,4 milhões previstos, divididos entre dique de contenção e Plano Diretor de Drenagem Urbana. Pelotas também está na lista de municípios prioritários para monitoramento, ao lado de cidades da região como Jaguarão, Pedro Osório, Rio Grande, São Lourenço do Sul e Cristal. A inclusão reforça a necessidade de acompanhamento permanente de chuva, níveis de rios, canais, arroios, lagoas e áreas sujeitas a alagamentos.

O Estado ainda apresentou a estruturação do Centro Estadual de Gestão Integrada de Riscos e Desastres, com R$ 70,2 milhões em execução e previsão de conclusão em março de 2027. Também estão previstos centros regionais, com investimento estimado em R$ 111 milhões. Pelotas aparece entre os municípios projetados para receber uma dessas estruturas.

Prédio histórico

Antes do encontro sobre o El Niño, a agenda do governador em Pelotas teve a assinatura do convênio do Programa Iconicidades, que prevê a recuperação da antiga sede do Banco do Brasil, na Praça Coronel Pedro Osório, na esquina com a Rua Quinze de Novembro. O ato reuniu Eduardo Leite, Fernando Marroni e a ex-prefeita Paula Mascarenhas.

O governador relacionou a iniciativa ao conceito de “acupuntura urbana”. Segundo ele, além das demandas básicas de zeladoria e manutenção, intervenções em pontos simbólicos ajudam a mudar a percepção da população sobre a cidade.

No caso de Pelotas, a proposta envolve o antigo prédio do Banco do Brasil e uma área anexa, com previsão de implantação de um espaço ligado à gastronomia. Em parceria com a Fecomércio, ali será instalada a Escola de Gastronomia do Senac. Marroni afirmou que a recuperação do imóvel faz parte de uma estratégia de revitalização do Centro Histórico e agradeceu à ex-prefeita Paula Mascarenhas pela articulação inicial do projeto com o governo do Estado.

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