“Enquanto as mulheres precisam buscar ajuda, os homens não devem violentar”

Abre aspas

“Enquanto as mulheres precisam buscar ajuda, os homens não devem violentar”

Marielda Medeiros, secretária de Políticas para as Mulheres de Pelotas

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“Enquanto as mulheres precisam buscar ajuda, os homens não devem violentar”
(Foto: Volmer Perez)

A Secretária de Políticas para as Mulheres de Pelotas, Marielda Medeiros, fala sobre as ações da pasta, que completa cerca de um ano e meio de atuação. Entre os principais temas, destacou o enfrentamento à violência contra a mulher, a construção de autonomia feminina e o trabalho de escuta nos territórios da cidade.

A senhora já faz um balanço desse período à frente da Secretaria?
Já vai completar um ano e meio da nossa existência e, quando a gente faz uma retrospectiva, percebe o quanto já avançou. É importante poder trazer o que estamos projetando e também prestar contas das nossas ações.

Qual é hoje o principal foco do trabalho da Secretaria?
Eu tenho dito que estamos vivendo um período em que as mulheres precisam buscar ajuda e acolhimento, precisam se cuidar. E, ao mesmo tempo, os homens precisam aprender que não devem violentar as mulheres, as meninas, que também estão em situação de vulnerabilidade. A secretaria atua nas questões da violência, mas também pensamos muito na autonomia dessas mulheres. Elas precisam sair do ciclo de violência e, para isso, precisam construir autonomia, especialmente a financeira. Isso é fundamental para que consigam tocar suas vidas.

A Secretaria tem desenvolvido ações nos bairros. Como isso funciona?
Nós estamos fazendo esse diálogo nos territórios. Já passamos por bairros como Dunas, Navegantes e Colônia de Pescadores Z-3. A ideia é ouvir as mulheres. Muitas vezes as políticas públicas são pensadas de cima para baixo, e nós queremos o contrário: construir junto com elas. Vamos até os territórios, fazemos escuta, levantamos as necessidades e depois voltamos para a secretaria para sistematizar tudo. A partir disso, buscamos, com nossos parceiros, ações que possam minimizar as dificuldades apresentadas.

E as necessidades mudam bastante de uma região para outra?
Sim, porque Pelotas é uma cidade muito diversa. Cada território tem suas especificidades e múltiplas necessidades. O que a gente percebe é que, em todos eles, as mulheres estão muito à frente das suas famílias, muitas vezes sendo chefes de família. Na Colônia Z-3, por exemplo, elas atuam diretamente na pesca, limpando camarão, peixe, e também buscando sustento. Em outros territórios, há outras realidades. Por isso, cada local precisa de um olhar diferenciado.

E como será feito o encaminhamento do que está sendo ouvido nesses encontros?
A gente faz todo o levantamento, identifica o que foi mais apontado e depois retorna aos territórios. Não é só ir uma vez. É um processo contínuo. A ideia é voltar com respostas: “conseguimos isso, vamos implementar aquilo”. Mas sempre respeitando quem quer participar e entendendo que nem tudo pode ser atendido de imediato. É um trabalho coletivo, de construção junto com as mulheres.

Essa metodologia de escuta é o principal diferencial da secretaria?
Sim. É uma escuta muito ativa. Não vamos aos territórios com respostas prontas. Vamos para ouvir. Às vezes, nas conversas, surgem outras questões que nem estavam previstas, e isso também orienta nosso trabalho. A gente precisa ter um olhar aberto e uma escuta efetiva para compreender o que realmente as mulheres estão dizendo e precisam.

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