O governo do Estado anunciou a criação do programa Prepara RS, um conjunto de ações voltadas à prevenção e resposta a eventos climáticos associados ao fenômeno El Niño.
Durante a abertura, o governador Eduardo Leite destacou que a iniciativa integra o Plano Rio Grande e representa uma evolução da estratégia adotada após as enchentes de 2023 e 2024. Segundo ele, o objetivo é ter ações coordenadas entre as defesas civis a partir de protocolos em escala para cada grau de episódio, sejam temporais, vendavais e inundações.
Entre as ações do Prepara RS está a destinação de R$ 32,9 milhões aos municípios para ações de preparação e mitigação. Os recursos são provenientes do Fundo Estadual de Defesa Civil do Estado do Rio Grande do Sul (Fundec/RS) e serão disponibilizados via transferência fundo a fundo.
As verbas poderão financiar, entre outras medidas, a aquisição de sistemas de monitoramento, alerta, alarme e difusão, obras de drenagem superficial de pequeno porte e implantação de sinalização de rotas de evacuação e pontos de encontro protegidos. O cronograma de execução prevê a liquidação dos recursos até 3 de julho deste ano.
Para acessar os recursos, as prefeituras deverão atender a alguns requisitos, como a apresentação de plano de aplicação, de plano de contingência municipal atualizado e a conclusão do diagnóstico das capacidades municipais, trabalho que será conduzido pelas coordenadorias regionais e pelo Departamento de Gestão de Desastres da Defesa Civil, em articulação com os municípios.
“O Plano Rio Grande não trata apenas da reconstrução. Ele busca preparar o Estado para um cenário de mudanças climáticas cada vez mais frequentes e intensas”, diz o governador Eduardo Leite.
As cidades foram selecionadas com base em critérios como histórico de enchentes, número de desalojados, prejuízos econômicos e proximidade de áreas vulneráveis.
Monitoramento e prevenção
A meteorologista da Defesa Civil Estadual, Cátia Valente, reforça que o Estado trabalha neste momento com prognósticos climáticos e não com previsões de impactos específicos.
Segundo ela, os modelos indicam alta probabilidade de formação de um El Niño forte ou muito forte, com aumento gradual das chuvas nas próximas semanas e possibilidade de intensificação dos efeitos ao longo da primavera.
“O pico do fenômeno é esperado para outubro. Trabalhamos com cenários climáticos, mas ainda não é possível prever quais serão os impactos em cada município”, destaca.
Conforme a especialista, a confirmação do fenômeno não significa a repetição das enchentes registradas em 2023 e 2024, já que eventos extremos dependem da combinação de diferentes fatores meteorológicos.
Planos de contingência
Um dos principais avanços apresentados pelo Estado está na preparação dos municípios.
De acordo com o coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Boeira, os 497 municípios gaúchos têm planos de contingência. Segundo ele, cerca de 80% desses documentos foram classificados entre médio e bom nível de qualidade pela equipe técnica estadual.
O número representa uma mudança significativa em relação a 2024, quando apenas 60 municípios tinham planos estruturados. Além da elaboração dos documentos, o Estado fez análises individualizadas das vulnerabilidades locais, identificando áreas de risco, capacidade de resposta e necessidades específicas de cada cidade. A intenção é permitir que as decisões sejam tomadas com mais rapidez e precisão em caso de emergência.
O programa também contempla protocolos para mobilização de equipes de socorro, organização de doações, comunicação com a população, atuação de voluntários e acionamento de recursos emergenciais.
Boletim Ciex-Furg
O Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex-Furg) emitiu nesta semana um novo boletim climático, tendo como referência a confirmação de atuação do El Niño, no segundo semestre.
De acordo com o documento, no trimestre junho-julho-agosto os indicadores apontam para um período mais úmido, com anomalias positivas de precipitação em grande parte do Rio Grande do Sul, com incerteza quanto à distribuição dos maiores acumulados. O boletim recomenda atenção ao mês de agosto, onde dois modelos analisados apresentam algum grau de concordância para chuva acima da média.
Os pesquisadores reforçam que, embora esteja indicada a tendência de maior acumulado de chuva no Estado, ainda não deve-se relacionar o prognóstico com a ocorrência de enchentes. “A previsão de curto prazo segue sendo de extrema importância para o acompanhamento mais preciso de eventos extremos”, reforça a nota.
