Moinho Pelotense estava instalado na rua Moreira César

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

Moinho Pelotense estava instalado na rua Moreira César

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Atualizado quarta-feira,
17 de Junho de 2026 às 11:22

Há 95 anos

Em 1931, o prédio de número 2 da rua Moreira César, atual Almirante Tamandaré, era mais um símbolo do desenvolvimento industrial de Pelotas. No endereço, o antigo Moinho Pelotense ostentava um grandioso prédio, que integrou uma das maiores beneficiadoras de trigo do Rio Grande do Sul.

O Moinho Pelotense, fundado em 1886, funcionou inicialmente às margens do arroio Santa Bárbara, próximo ao que corresponde ao número 300 da rua Marechal Deodoro. Posteriormente comprado, em 1903, por Albino Cunha, tornando-se uma filial do Moinho Rio-Grandense, criado em 1916, em Porto Alegre.

O majestoso prédio da rua Moreira César, entrou em funcionamento em 1927, mas o projeto arquitetônico do engenheiro Alfredo Hanssler é de 1925. A obra foi executada pela firma Hanssler & Woebke e fiscalizada por Fernando Duprat. Por sua vez, o maquinário foi fornecido pela empresa alemã Amme, Glock e Kpenegem.

O Moinho Pelotense era capacitado para produzir 100 toneladas por dia e armazenar até duas mil toneladas de grãos em seus oito silos verticais. Além da unidade de Pelotas, em 1936, a empresa ainda possuía os moinhos Rio-Grandense, sede, Porto Alegrense, também na capital, e São Carlos, em Boa Vista do Erechim, as empresas juntas formavam uma das maiores beneficiadoras de trigo no Rio Grande do Sul. Destas empresas saíam toneladas de farinha distribuídas em marcas como Primor, Extra-Flor, Santa Maria, Ecypse e Coqueiro e subprodutos, como o farelo de trigo.

Na história da cidade

A rua Tamandaré existe na história urbana de Pelotas desde o século 19, quando foi projetada em 1830 nos terrenos de dona Mariana Eufrásia da Silveira. O primeiro nome que a via recebeu foi de João Alves Pereira, um dos sete vereadores que tomariam assento na primeira Câmara, em 1832, quando foi instalada a Vila de São Francisco de Paula.

Posteriormente passou a se chamar São Joaquim. Porém, a partir de 1897, foi rebatizada para Moreira César. O coronel Moreira César havia adquirido renome nacional como valoroso guerreiro, principalmente depois que debelou uma revolta em Santa Catarina.
“Anos depois esta rua adquiriu o nome que tem, em louvor à memória de um dos maiores vultos da Marinha brasileira…, mas o nome inexato… mistura um título militar com um título civil nobiliárquico. O correto? Haveria mais de uma opção: Almirante José Marques Lisboa, só Almirante Lisboa, ou Marquês de Tamandaré”, comentou o historiador Mario Osorio Magalhães no livro Os passeios da cidade antiga.

Fontes: 100 Imagens da Arquitetura Pelotense, Rosa Maria Garcia Rolim de Moura e Andrey Schlee; Os passeios da cidade antiga, de Mario Osorio Magalhães; Almanaque Pelotense de 1932

Há 50 anos

Porto de Pelotas registra primeira exportação de farelo de soja

O primeiro carregamento de farelo de soja para o exterior, realizado através do Porto de Pelotas, foi embarcado num tempo recorde de 24 horas, registrou a imprensa local em 15 de junho de 1976. O produto foi destinado a Manila, nas Filipinas.

Expectativa era de que o transporte por navio fosse incrementado (Foto: Reprodução)

O navio Greenville, de bandeira liberiana e tripulação chinesa, com mais de 150 metros de comprimento, foi especialmente fretado pela empresa J.H. Rayner and Co. Limited, para o trabalho. A embarcação transportou 3,2 mil toneladas de farelo de soja embarcado pela empresa pelotense Kasper Cia.Ltda.

O embarque deu início ao ciclo de exportações da Kasper para o extremo leste do continente asiático. O embarque inédito foi acompanhado por autoridades locais, como o então prefeito, Ary Alcântara, o secretário municipal de Obras e Viação, Carlos Augusto Ackermann, bem como o administrador do Porto local, Décio Mariante, o diretor-presidente da Kasper, Teldo Kasper, e o diretor-gerente, Almir Zerwes.

Outra carga

Na época, uma fonte da Kasper anunciou que o Porto de Pelotas receberia, no dia 24 do mesmo mês, mais um cargueiro de aproximadamente quatro mil toneladas, também destinado ao exterior.

Dirigentes da empresa exportadora consideraram muito importante a primeira exportação de farelo de soja, porque significava um estímulo à utilização dos recursos que ofereciam o porto local. A expectativa era ampliar o uso e incrementar o movimento de navios. “Este meio de transporte é, economicamente, mais vantajoso do que o rodoviário e o ferroviário”, afirmavam as autoridades locais.

Fonte: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense

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