Existem frases que acabam com o dia de alguém. “Quero terminar contigo”, “Saíram as notas da prova”, “Eu torço para o Grêmio”, e infinitas outras. A minha pessoal é: “Eu não me importo com política.” Quando alguém fala essa frase, eu costumo tirar alguns segundos, pensar e repensar se devo explicar a essa pessoa o porquê ela deveria se importar.
Minha segunda ideia é sair da conversa abruptamente. Com o tempo, fui criando a terceira via, e a mais utilizada. Rir, beber o que estiver em mãos, e responder:
– Ah sim, por que perder tempo com isso? Já que a sociedade ‘tá’ perfeita assim, né?
Recomendo essa resposta a todos. Gera uma confusão entre a risada e a reflexão do “apolítico”, que não sabe se está sendo compreendido ou humilhado. Essa espécie acaba mantendo um padrão: boa qualidade de vida. E merece ouvir minha resposta irônica.
Porém, existe outro grupo, aquele com tão pouco tempo, tão pouca qualidade de vida e tão ignorado pelos governantes, que não se interessa mais sobre política. Para alguns, não é interessante que estes se informem, ou pior, organizem sua luta. Por hoje, vou dissertar sobre o primeiro grupo. Quando eu ouvi “tudo é política” pela primeira vez, lembro que eu pensei que isso era uma frase de um fanático em defesa de suas crenças. Comecei a entender quando saí da bolha do colégio particular, da aula de inglês e de uma TV do ano em casa. Bom, eu seguia na bolha, mas comecei a olhar para fora dela.
A TV que eu assistia todos os dias pode chegar na minha casa por um motivo, além do trabalho dos meus pais – que por si só já é um fato político. O item chegou porque aquele preço era acessível à classe média, apesar das taxações e de sua produção em um lugar de mão de obra barata. Isso é só um objeto da minha sala. Depois que se vê isso, se torna difícil ver as coisas como antes. Aonde eu mais vejo que as pessoas notam é na gasolina. Incontáveis vezes ouvi:
– Que loucura, né? Uma guerra que está acontecendo lá longe muda o preço aqui em Pelotas.
Infelizmente, para essas pessoas, política significa dois nomes no Brasil, e por isso, torna-se cansativo se interessar por ela. Mas convido todos leitores a se questionarem o que nos mantém como sociedade, ou simplesmente se perguntar:
– Por que minha rua está esburacada?
– Por que o preço do gás está assim?
– Por que não consigo mais comprar roupas nos lugares de antes?
Caso todos esses questionamentos sigam pouco importando, invejo suas vidas, que realmente, devem ser perfeitas.