A metáfora de que o futebol se parece com uma engrenagem passa pelo funcionamento coletivo, tático, pelas movimentações, trocas de passes e ideias. E, claro, ela não fica pronta do dia para a noite. Aos poucos, vai dando sinais dentro de um conceito. E esses conceitos começam a aparecer no Brasil.
No primeiro jogo, o Xavante surpreendeu pela forma de atuar e pelo desempenho, mesmo com pouco tempo de trabalho. No segundo, surgiu a desconfiança: seria aquele o time que veríamos ao longo da Série D? Uma equipe pouco compacta, lenta, com muitos erros e distante do padrão que acostumou o torcedor sob o comando de Gilson Maciel.
Na terceira partida, outras movimentações chamaram atenção nesse mecanismo em construção. Um Brasil seguro defensivamente, capaz de construir jogadas, eficiente pelo alto nas bolas paradas e que teve o jogo sob controle diante do São Joseense. Nem o encanto da estreia, nem a apatia do segundo jogo. O que marcou essa terceira apresentação foi a segurança.
E foi justamente essa segurança que permitiu enxergar outras virtudes de um time ainda em formação.
Toda estrutura precisa de peças de encaixe. E a que mais vem fazendo diferença é Júlio Simas. O volante aparece em todos os setores do campo, protege a defesa, organiza com passes longos e até faz gol. Ele dita o ritmo do meio-campo.
Mas ditar o ritmo, neste Brasil, não significa se sobressair individualmente. No coletivo, não existe apenas uma peça brilhando mais do que as outras. Júlio potencializa os demais e ajuda o Brasil a encontrar o ritmo ideal.
Agora, esse sistema será colocado à prova no gramado sintético do Passo D’Areia. Do outro lado, Argel Fuchs estreia no comando do São José e tentará dar resposta imediata ao Zequinha.
O Brasil precisará acelerar suas transições. O exemplo está no Blumenau, que venceu o São José explorando contra-ataques rápidos.
A tendência é de manutenção da escalação. Robinho chega mais entrosado, Tony Lucas ganhou espaço e o time parece encontrar uma base.
O Brasil ainda está em construção. Mas diferente da segunda rodada, hoje já parece saber exatamente o que quer ser.
Recopa na Baixada
O Brasil conseguiu reverter a pena e vai disputar a Recopa diante do seu torcedor no Bento Freitas. Ganha o espetáculo e ganha o futebol.
Mas que a festa venha acompanhada de responsabilidade para ficar apenas na arquibancada.
Como disse Airton Ruschel: “Tirar o público da decisão seria retirar o ingrediente principal de uma competição: a emoção”.
100 anos de história
Neste 26 de abril, o Grêmio Atlético Farroupilha chega aos 100 anos.
Uma marca para poucos, construída por personagens que ajudaram a formar um clube campeão gaúcho e parte da identidade do futebol de Pelotas.
Uma história assim não merece ponto final. Merece novos capítulos.
Que o Ninho do Cardeal saia do papel e que o Farroupilha siga pulsando forte no futebol pelotense.
Parabéns.