Governo do Rio Grande do Sul faz balanço de ações após dois anos das enchentes

coletiva de imprensa

Governo do Rio Grande do Sul faz balanço de ações após dois anos das enchentes

Prognóstico climático para 2026 também foi apresentado, com foco na iminência de El Niño no segundo semestre

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Atualizado sexta-feira,
24 de Abril de 2026 às 17:59

Governo do Rio Grande do Sul faz balanço de ações após dois anos das enchentes
Eduardo Leite (PSD) detalhou os projetos que são considerados críticos para a proteção do território gaúcho (Foto: Vitor Rosa)

O governo gaúcho realizou uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira (24), na qual detalhou as ações que foram realizadas e as que ainda estão em curso desde o período de enchentes, que assolou o Rio Grande do Sul em maio de 2024. Na próxima semana, uma série de eventos farão parte de uma programação para relembrar a maior tragédia que já atingiu o Estado na história. As atividades serão desenvolvidas nos municípios mais severamente impactados.

Eduardo Leite (PSD) detalhou os projetos que são considerados críticos para a proteção do território gaúcho, principalmente os relacionados com os sistemas de proteção contra cheias.

As obras fazem parte do Plano Rio Grande, que realizou o repasse de cerca de R$ 13,9 bilhões, desde 2024, para tornar o Rio Grande do Sul mais preparado para eventos extremos. No total, o Estado lista 227 projetos de reconstrução, com 95 municípios em calamidade com ações de curto, médio e longo prazo.

O incremento de quatro vezes mais servidores na Defesa Civil Estadual foi destacado pelo chefe do órgão, Coronel Luciano Chaves Boeira, como um fator primordial para mitigar os efeitos de eventos extremos futuros. “Na atuação de eventos fortes de granizo, exurradas no município de São Lourenço do Sul, por exemplo, os prefeitos municipais já percebem a qualificação na estrutura de defesa civil.[…] No que diz respeito a nossa condição de resposta, estamos em outro patamar”, garante.

O governador reforça que em 36 meses desde a tragédia, as equipes trabalham em integração para a leitura de eventos climáticos. “Não tem Estado no Brasil com um plano de contingência como o Rio Grande do Sul tem”, afirma.

Assoreamento de rios

Foram destacadas as ações de batimetria que foram realizadas nos principais rios do Estado e a comparação com o período pré e pós enchente. Segundo a equipe de governo, não há evidências científicas que o delta do jacuí, que abarca o Guaíba, esteja totalmente assoreado. “O resultado final apresenta que não há movimentos de sedimentos adicionais no guaíba que possam indicar que ele irá encher mais rápido do que antes. Não há impactos, não há indicação de que terá inundações por conta de um guaíba mais assoreado. Fazer dragagem em todo ele não é viável economicamente e nem necessário”, diz Leite.

O governador reconheceu que ainda faltam coisas a serem feitas. “Não há lugar no mundo que fique completamente blindado, precisamos agir de forma rápida para proteger a economia, as nossas cidades, infraestrutura o máximo possível, e temos que agir de forma sistêmica, recuperando a capacidade do Estado e reconhecendo as áreas de maior necessidade e agindo sobre elas”, reforça.

Moradias

Com relação às residências levadas pelas águas, ou que foram impactadas pelo período de enchentes, o governador Eduardo Leite afirmou que 500 famílias estão em casas temporárias e que as definitivas ainda estão em construção na região metropolitana, vales e na metade Norte do Estado.

A expectativa é que, ao longo deste ano, mais de mil casas definitivas sejam entregues.

Autoridade Estadual das Águas

Na coletiva, Eduardo Leite também citou que o governo gaúcho irá encaminhar para a Assembleia Legislativa o projeto para a criação de uma autoridade das águas estadual. Esse órgão será responsável pela gestão hídrica do Estado, atuando na operação de sistemas de proteção e irrigação.

A autarquia ainda será estruturada. Os municípios serão parte da governança e das decisões, mas a gestão será de responsabilidade do governo gaúcho.

Ausência da Zona Sul

Durante toda a explanação do governo gaúcho, a Zona Sul do Estado não teve os projetos de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas e ações de prevenção à cheias citados.

A região foi mencionada durante o detalhamento dos repasses do projeto Fundo a Fundo da Reconstrução. Em Pelotas foram mencionadas a rede de drenagem, barragem Santa Bárbara e para o estudo geotécnico e hidrodinâmico do Sistema Laranjal, com um valor total aprovado de R$ 13,8 milhões. Para Rio Grande, o valor aprovado é de R$ 1,2 milhão para limpeza e desobstrução das redes de drenagem. Já São Lourenço do Sul, apareceu com os projetos do Dique de Contenção e do Plano Diretor de Drenagem Urbana, com um total aprovado de R$ 2,3 milhões. Nenhum destes projetos foi detalhado ou teve seu andamento mencionado.

El Niño

Além das ações relacionadas aos dois anos das enchentes, o governo gaúcho apresentou um prognóstico climático para 2026. tendo em vista a confirmação do fenômeno El Niño e como ele pode impactar o cenário gaúcho, principalmente no segundo semestre.

Segundo a análise dos meteorologistas que auxiliam o governo do Rio Grande do Sul nas tomadas de decisão, ainda não é possível dimensionar a magnitude do fenômeno, mas que os episódios anteriores de El Niño foram muito fortes por conjuntos de outros fatores. “O governo não subestima o que pode acontecer. Há o que se preocupar, mas não devemos ficar alarmados para além do que a ciência está nos dizendo, o estado está se preparando e estruturando sua ação de prevenção”, afirma Leite.

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