São Lourenço do Sul se emancipa de Pelotas

Opinião

Ana Cláudia Dias

Ana Cláudia Dias

Coluna Memórias

São Lourenço do Sul se emancipa de Pelotas

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Por: Cíntia Piegas

Há 142 anos

A ocupação do território que hoje forma São Lourenço do Sul remonta ao final do século 18, quando a Coroa Portuguesa distribuiu sesmarias a militares que se destacaram nas disputas contra os espanhóis. A partir dessas concessões, surgiram as primeiras estâncias e capelas, estruturando a vida econômica e social com base na pecuária, então principal atividade da região.

Entre os beneficiados estava o coronel José Antônio de Oliveira Guimarães, proprietário da Fazenda São Lourenço. Visionário, ele não apenas se dedicou à criação de gado, como também incentivou a colonização agrícola. Em 1857, firmou contrato com o prussiano Jacob Rheingantz para trazer imigrantes europeus que pudessem cultivar as terras. No ano seguinte, em 18 de janeiro de 1858, chegaram os primeiros 88 colonos alemães, muitos oriundos da Pomerânia, dando início a um processo que, em poucos anos, elevaria a população germânica local a milhares de pessoas.

Com a chegada dos imigrantes, a economia deixou de depender exclusivamente da pecuária e passou a incorporar a agricultura. No século 19, a região se destacou como grande produtora de batata-inglesa na América Latina. O crescimento econômico e populacional impulsionou mudanças administrativas.

A Freguesia do Boqueirão foi emancipada de Pelotas em 26 de abril de 1884. Anos depois, em 15 de fevereiro de 1890, a sede municipal foi transferida para a região do Arroio São Lourenço. O reconhecimento como cidade viria em 31 de março de 1938, consolidando a área central que permanece até hoje.

A história local também foi marcada por conflitos. Durante a Revolução Farroupilha, no século 19, a região serviu como ponto estratégico. A Fazenda do Sobrado, próxima à Lagoa dos Patos, abrigou Giuseppe Garibaldi e foi utilizada como quartel-general por Bento Gonçalves, testemunhando episódios decisivos da guerra.

Atualmente, as bases econômicas formadas naquele período seguem presentes. O campo responde por grande parte do Produto Interno Bruto do município, com destaque para culturas como fumo, milho, arroz e soja, além da pecuária e da produção familiar. A indústria, o comércio e os serviços complementam a economia, enquanto o turismo, impulsionado pela Lagoa dos Patos e pelos recursos naturais, segue em expansão, mantendo viva a relação histórica entre desenvolvimento e geografia.

Fonte: Prefeitura, Câmara de Vereadores, Dicionário de História de Pelotas e Almanaque do Bicentenário de Pelotas

Há 100 anos

Grêmio Atlético Farroupilha é fundado em 26 de abril de 1926

Time campeão do Farroupilha em 1935 (Foto: Reprodução)

Há 100 anos, em Pelotas, surgia uma agremiação que marcaria o futebol da cidade: o então Grêmio Atlético do 9º Regimento de Infantaria, fundado por um general, 14 oficiais e dois soldados do Exército Brasileiro. O querido Fantasma esteve ligado à vida militar, e o clube rapidamente se inseriu nas competições locais e, já em 1927, disputava o campeonato citadino organizado pela Liga Pelotense de Futebol Amador, ao lado de equipes tradicionais como Brasil, Pelotas e Bancário.

Na década de 1930, o 9º RI consolidou-se como uma das principais forças do futebol pelotense. Com uma equipe formada majoritariamente por militares, muitos deles recrutados em cidades da região para prestar serviço em Pelotas, o clube conquistou o tricampeonato citadino em 1934, 1935 e 1936.

O primeiro título, em 1934, ficou marcado por um episódio inusitado: após a invasão de campo que impediu a cobrança de um pênalti decisivo contra o Pelotas, a partida foi retomada semanas depois, com defesa do goleiro Brandão, garantindo o resultado e o troféu.

Auge em 1935

Campeão citadino, o 9º RI avançou até a final do Campeonato Gaúcho, disputado naquele ano em formato regionalizado, em alusão ao centenário da Revolução Farroupilha, e superou o Grêmio, em Porto Alegre, na melhor de três partidas. A conquista deu ao clube o título estadual e projetou nomes como o artilheiro Sezefredo Ernesto da Costa, o lendário Cardeal. Natural de Santa Vitória, marcou época no futebol pelotense nas décadas de 1930 e 1940. Defendeu ainda o Fluminense, o Nacional do Uruguai, bem como a Seleção Brasileira (1937). Na volta a Pelotas, a delegação foi recebida com festa pela população, em uma celebração que entrou para a memória da cidade. Seu apelido se deve à cor encarnada de seu gorro, com o qual costumava jogar.

A partir de 1942, por determinação do governo de Getúlio Vargas, que proibia o uso de denominações militares por entidades civis, o clube adotou o nome Grêmio Atlético Farroupilha, em referência direta à histórica conquista de 1935. Com o passar dos anos, a agremiação deixou de ser exclusivamente militar e fortaleceu seu vínculo com o bairro Fragata, com o qual se identifica desde os anos 1930, no então Campo das Laranjeiras, área que mais tarde daria lugar ao Estádio Nicolau Fico, sua casa por décadas.

Fonte: Acervo da Bibliotheca Pública Pelotense

 

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