Prefeitos da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) encaminharam ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e ao Ministério dos Transportes, na quarta-feira (22), uma carta conjunta com reivindicações sobre o novo modelo de concessão das rodovias federais da região, com críticas à proposta da Rota Portuária do Sul.
Entre as principais demandas está a realização de novas audiências públicas presenciais em cidades como Rio Grande, Canguçu, Jaguarão e Camaquã, ampliando a participação da população no processo. A carta também pede a revisão de custos previstos no projeto, especialmente em relação a obras que já contam com recursos federais ou já foram executadas, o que, segundo os prefeitos, encarece desnecessariamente a tarifa.
Outro ponto central é a alteração na localização dos pórticos de cobrança no sistema free flow, evitando que estruturas sejam instaladas em áreas urbanas ou cortem municípios. A proposta ainda inclui a redução de custos operacionais, mudanças na política tarifária para veículos comerciais e a criação de um período de testes para o novo sistema de cobrança.
Luta por valores mais baixos
O prefeito de Pelotas, Fernando Marroni (PT) destacou que a retirada de grandes obras do projeto pode ter impacto direto no valor da tarifa. Segundo ele, mais da metade dos investimentos previstos está concentrada em intervenções que poderiam ser custeadas fora da concessão, o que reduziria significativamente o custo ao usuário. Ele também reforçou o pedido para que praças de pedágio não sejam instaladas dentro dos municípios.
Já o prefeito de São Lourenço do Sul, Zelmute Marten (PT), enfatizou a necessidade de um modelo que priorize tarifas mais baixas e não prejudique a economia regional. Ele também criticou a transferência de responsabilidades para os municípios, como o atendimento a acidentes nas rodovias, defendendo que o serviço seja assumido pelo Dnit.
Marcha dos prefeitos em maio
O presidente da Azonasul, André Selayaran (MDB) afirmou que o documento reflete um consenso entre os prefeitos da região, com foco na redução de custos, maior participação popular e ajustes no modelo de cobrança. A articulação deve seguir com novas agendas durante a Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, de 18 a 21 de maio.
O que a Zona Sul pede?
- Mais audiências públicas presenciais na região (Rio Grande, Canguçu, Jaguarão e Camaquã)
- Revisão dos custos do projeto para reduzir o valor das tarifas
- Retirada ou compensação de obras já pagas com recursos federais
- Prioridade e antecipação das obras do lote 4 da BR-392
- Redução dos custos operacionais da concessão
- Mudança na localização dos pórticos de pedágio (free flow), evitando áreas urbanas
- Período de testes para o sistema free flow antes da implementação definitiva
- Notificação antes de multa por não pagamento de pedágio
- Revisão das tarifas para veículos comerciais e isenção para eixos suspensos
- Reforço no atendimento aos usuários (ambulâncias e guinchos)
