Projeto de digitalização em 3D de estatuário aguarda investidores

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Projeto de digitalização em 3D de estatuário aguarda investidores

Proposta de preservação histórica, da conservadora-restauradora Olga Cabral, foi aprovada pela Rouanet

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Atualizado sexta-feira,
17 de Abril de 2026 às 09:35

Projeto de digitalização em 3D de estatuário aguarda investidores
Monumentos de cinco praças serão mapeados (Foto: Jô Folha)

A conservadora-restauradora Olga Geni Pinto Jeck Cabral, mestre em Memória Social e Patrimônio, está à frente de um projeto ousado que busca unir tecnologia, preservação histórica e acesso público à informação. Intitulada Digitalização 3D e Documentação para Preservação do Patrimônio e Salvaguarda dos Monumentos em Praças Tombadas de Pelotas, a iniciativa foi aprovada pela Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, com 100% de captação autorizada, o desafio agora é atrair investidores para viabilizar a proposta.

O projeto de Olga prevê o mapeamento completo dos 35 monumentos localizados em cinco praças tombadas da cidade: Coronel Pedro Osório, Cipriano Barcelos, José Bonifácio, Piratinino de Almeida e Antônio Zattera. “Vamos fazer a documentação de todos esses espaços. A ideia é gerar um inventário completo, catalogando informações cronológicas e iconográficas”, explica a restauradora.

Além do levantamento histórico, o projeto inclui o escaneamento tridimensional dos monumentos e das placas comemorativas. A tecnologia permitirá criar modelos digitais com alto grau de precisão, fundamentais para futuras intervenções de restauro. “Hoje temos muitas informações sobre o patrimônio edificado, mas muito pouco sobre os monumentos. Queremos preencher essa lacuna e criar uma base universal de dados”, destaca.

Todo o conteúdo será disponibilizado ao público, servindo tanto para pesquisas acadêmicas quanto para projetos que envolvam turismo cultural. Os monumentos também contarão com QR codes, inicialmente apresentados em uma exposição interativa, facilitando o acesso às informações.

Educação patrimonial

Orçado em pouco mais de R$1,3 milhão, o projeto foi estruturado com rigor técnico e financeiro, segundo Olga. “Trabalhamos no limite dos custos para dar conta de todas as etapas”, afirma. No papel também está previsto ir além da documentação técnica.
Na proposta foram incluídas ações de educação patrimonial, por exemplo.

Estão projetadas caminhadas culturais em datas como a Semana dos Museus, o Dia do Patrimônio e o aniversário de Pelotas, além de palestras voltadas a professores da rede pública. Uma exposição no Parque Tecnológico, com duração de 15 dias, reunirá recursos como inteligência artificial, QR codes e maquetes táteis dos monumentos.

Documentário

Outro destaque é a produção de um curta-metragem documental sobre o desenvolvimento do projeto, sob direção de Cadu Zimmermann, egresso do curso de Cinema de Animação da UFPel. A obra terá exibição pública no Largo do Mercado Central e será disponibilizada à comunidade.

A iniciativa conta ainda com parceria acadêmica junto ao Programa de Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal de Pelotas, com previsão de acordo de cooperação técnico-científica para apoiar as ações educativas.

Porém, a captação dos recursos precisa ser concluída até o final do ano. Como se trata de financiamento via Lei Rouanet, empresas e pessoas físicas podem destinar parte do imposto de renda ao projeto. “É um investimento que retorna em forma de desenvolvimento econômico, turismo e valorização cultural”, ressalta a restauradora.

Replicar em outras cidade

Fundadora do Studio Restaurart, Olga vê o projeto como um marco em sua trajetória. “É meu primeiro ‘bebê’ e também um piloto. A ideia é que ele possa ser replicado em outras cidades do país”, projeta. Paralelamente, ela desenvolve outra proposta voltada à formação de agentes de patrimônio, com foco na qualificação de profissionais para identificar patologias e elaborar laudos técnicos.

Após sete meses de trabalho intenso, envolvendo estudos jurídicos e de acessibilidade, Olga comemora a aprovação em um dos editais mais exigentes do país. Agora, a aposta é na mobilização de investidores para tirar o projeto do papel. “Precisamos divulgar e mostrar que todos ganham com isso”, fala Olga Cabral.

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