Hoje completam-se cinco anos do leilão que privatizou o Aeroporto Internacional João Simões Lopes Neto, em Pelotas. Desde então, o terminal passou por um ciclo de investimentos em infraestrutura, reforçou a conectividade aérea e ampliou seu papel estratégico para a mobilidade e o desenvolvimento econômico da Zona Sul.
O aeroporto foi concedido à iniciativa privada em abril de 2021. O terminal integra o chamado Bloco Sul, que reuniu nove aeroportos do Sul do país e foi arrematado pela Companhia de Participações em Concessões, então ligada ao grupo CCR, por mais de R$ 2,1 bilhões. Os contratos têm duração de 30 anos.
Desde a concessão, o aeroporto de Pelotas passou por uma série de melhorias estruturais. Entre as principais intervenções estão a ampliação e reforma do terminal de passageiros, melhorias na sinalização interna, adequações no pátio de aeronaves e modernização de equipamentos de navegação.
As obras integram um pacote de investimentos realizado pela concessionária também nos aeroportos de Bagé e Uruguaiana, que juntos somaram cerca de R$ 130 milhões. Em Pelotas, o terminal ganhou novos espaços de check-in e desembarque, ampliação da área de atendimento aos passageiros e melhorias na experiência de embarque.
A modernização também incluiu adaptações operacionais para ampliar a capacidade do aeroporto e permitir maior segurança nas operações, além de adequações que facilitam a atração de novas companhias aéreas.
Movimento de passageiros
O reflexo das mudanças pode ser observado nos números de movimentação. Em 2025, o aeroporto registrou 93.322 passageiros – o segundo melhor resultado desde 2010. Além disso, os dados mostram um crescimento nos últimos anos: foram 51.915 passageiros em 2022, 72.170 em 2023, 106.431 em 2024 – aumento impulsionado temporariamente pelo fechamento do aeroporto de Porto Alegre durante as enchentes.
Novas conexões
Um dos avanços mais importantes ocorreu com a ampliação das ligações com São Paulo. Hoje, Pelotas conta com voos diretos para os aeroportos de Guarulhos e para Congonhas. A rota para Congonhas começou a operar em outubro de 2025, com voos três vezes por semana – às segundas, quartas e sextas-feiras – ampliando as opções aéreas para a região.
Papel estratégico
O vice-presidente de Infraestrutura da Federasul, Antônio Carlos Bacchieri, defende o modelo de concessões e aponta que a gestão privada pode trazer ganhos de eficiência para a infraestrutura de transporte. Ele destaca, no entanto, que ainda há desafios a serem enfrentados. Entre eles, a melhoria dos acessos viários ao terminal.
“O aeroporto já recebeu melhorias importantes em segurança e estrutura, mas ainda precisamos investir em um acesso mais eficiente, com uma ligação direta que permita que toda a região chegue rapidamente ao aeroporto”, avalia.
Serviços e novos negócios
Além das operações aéreas, o terminal também tem ampliado a oferta de serviços ao público. Um exemplo é a abertura de novos espaços comerciais dentro do aeroporto. Na próxima semana, a doceira pelotense Márcia Caldeira, conhecida como Nina, inaugura uma loja dedicada aos tradicionais doces da cidade dentro do terminal.
Com mais de uma década de atuação em feiras como a Fenadoce e a Expointer, ela vê no aeroporto uma vitrine para a cultura local. “Quem passa por Pelotas pode levar um pouco da nossa história. Além dos doces tradicionais, também vamos ter lembranças da cidade”, conta.
Para a empresária, a movimentação de passageiros no aeroporto tende a crescer com o aumento das conexões. “Temos voos todos os dias. O movimento acompanha os horários das operações, mas é bastante intenso e a tendência é melhorar ainda mais”, afirma.
