Havia um silêncio incômodo no Centro de Pelotas. Desde 2010, uma geração inteira de pelotenses cresceu sem saber o que era cruzar as portas do Theatro Sete de Abril, ver as luzes se apagarem e ouvir o início de um espetáculo na tradicional casa de estilo italiano. Esse hiato de 16 anos termina finalmente nesta terça-feira, 7 de julho. Um dia histórico que coincide com a celebração dos 214 anos do município.
O fechamento compulsório, determinado há mais de uma década pelo Ministério Público, foi um remédio amargo, mas urgente. Vistorias técnicas acenderam o alerta vermelho: a estrutura de sustentação do telhado corria risco iminente de colapso.
Dessa forma, o resgate do patrimônio nacional começou de cima para baixo, com a recuperação da cobertura entre 2013 e 2014, um esforço conjunto que custou cerca de R$ 1,47 milhão entre verbas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da prefeitura.
Ao longo de quase uma década, o Sete de Abril viveu um verdadeiro drama de bastidores. Embora o projeto executivo de restauro integral tenha sido acolhido pelo PAC Cidades Históricas em 2018, as obras só foram iniciadas em setembro de 2019. A pandemia e entraves em licitações esticaram o cronograma e exigiram um aporte de mais de R$ 6 milhões. Interior e fachada ficaram prontos em 2022, mas outros detalhes, como o mobiliário e os equipamentos ficaram para os anos seguintes.
A nova face
Quem entrar no Sete de Abril a partir desta semana encontrará uma jóia polida. O minucioso trabalho deu nova vida às fachadas decoradas, sacadas e esquadrias. Por dentro, o restauro ressuscitou os pisos originais de madeira, mármore e ladrilho hidráulico, além de recuperar os camarotes, camarins, plateia e foyer.
Por trás do visual centenário, está agora um aparato tecnológico de ponta: novos sistemas elétricos e hidrossanitários. Uma imponente caixa cênica em estrutura metálica e um novo anexo administrativo completam a renovação. Até o subsolo revelou segredos, com escavações arqueológicas que ajudaram a reescrever o passado do próprio local.
Quais foram as principais intervenções:
- Estrutura e Telhado: reforço do telhado e das estruturas internas para eliminar riscos de infiltração e desabamento.
- Fachada e Interiores: restauro completo da fachada (com pintura à base de cal), recuperação das madeiras originais, pintura interna e trabalhos de arqueologia no pátio.
- Acessibilidade e Segurança: instalação de rampas de acesso, elevadores, áreas reservadas para cadeirantes e sistema de prevenção contra incêndios.
- Palco e Equipamentos: construção de uma caixa cênica em estrutura metálica, além da instalação de cortinas, ciclorama e varas de iluminação.
- Mobiliário: instalação das poltronas na plateia e nos camarotes.
- Lustre: parceria entre a Prefeitura e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em 2022, viabilizou a restauração do lustre do Theatro, trabalho desenvolvido pelo acadêmico do curso de Conservação e Restauro da UFPel, Lucas Ceglinski, sob a orientação da professora Andrea Bachettini.
O que falta
- PPCI: Vem sendo executado por etapas, conforme planejamento técnico. As medidas necessárias para a realização da programação de reabertura estão sendo conduzidas em conformidade com as exigências dos órgãos competentes, observados os procedimentos legais para obtenção das autorizações necessárias.
- Climatização: Integra o conjunto de melhorias previstas para a plena qualificação do equipamento cultural. Trata-se de uma etapa que demanda investimentos específicos em equipamentos de infraestrutura elétrica, sistema de renovação e distribuição de ar, drenagem, automação e isolamento acústico. Porém, não há recursos por enquanto.
