Aguardada desde a duplicação da BR-392, a restauração da ponte Alberto Pasqualini era para sair do papel em 2024. Entraves como a origem de recursos, estudos e projetos da obra e licitações prorrogaram por quase dois anos essa espera, que pode terminar neste semestre, segundo informa o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Reivindicada por entidades de classe e, principalmente, por usuários que transportam cargas diariamente, a recuperação da estrutura, interditada desde 1974, deve otimizar o deslocamento e ampliar a segurança dos motoristas que utilizam a travessia sobre o canal São Gonçalo, atualmente feita por uma única ponte.
Segundo o órgão, o projeto executivo passa por revisão, etapa prevista em contrato para adequação de valores e ajustes técnicos, e a expectativa é de que as obras comecem ainda neste segundo semestre. O investimento permanece estimado em aproximadamente R$ 125 milhões.
No decorrer do processo, desde o anúncio há dois anos, os principais avanços ocorreram somente a partir de janeiro deste ano com a conclusão da licitação e a assinatura do contrato com o Consórcio São Gonçalo, formado pelas empresas Arteleste, Cidade e A. Gaspar. Inicialmente, a previsão era de que a elaboração do projeto executivo antecedesse a emissão da ordem de serviço e que as intervenções tivessem início apenas em 2027, dependendo de aprovação técnica e da disponibilidade orçamentária da União.
Demora
A licitação sucedeu uma série de adiamentos. Em 2024, o DNIT informou que o projeto de recuperação estava sendo finalizado em Porto Alegre e que pretendia anunciar a obra entre novembro e dezembro daquele ano. O cronograma, no entanto, não foi cumprido. O órgão comunicou que seriam necessários novos ajustes, transferindo o processo para 2025. Na ocasião, a proposta previa a recuperação da superestrutura da ponte, com reforço das vigas e alargamento da pista para possibilitar a retomada da utilização da travessia.
A necessidade da obra remonta a mais de cinco décadas. Concluída em 1963, a ponte Alberto Pasqualini suportou o intenso fluxo de caminhões com destino ao Porto do Rio Grande por apenas 11 anos. Em maio de 1973, engenheiros identificaram problemas no concreto e nas armaduras da estrutura. As patologias evoluíram e resultaram na interdição da ponte em 1974.
Duplicação da João Goulart
Enquanto a recuperação da ponte avança para a fase de execução, outra demanda histórica da região segue em estágio inicial. O DNIT mantém em andamento a licitação para contratar a empresa que irá elaborar o projeto executivo da duplicação da avenida João Goulart, principal acesso urbano à BR-392 em Pelotas.
Após a contratação, o prazo para elaboração do projeto será de pelo menos um ano. Somente depois da conclusão será possível definir o valor da obra e o cronograma das intervenções. Segundo o órgão, a duplicação deverá ampliar a fluidez do trânsito e aumentar a segurança viária no acesso à cidade e na ligação com as rodovias da região.
