“Existe uma lei na medicina chinesa. Onde existe dor, existe estagnação de energia”

Abre aspas

“Existe uma lei na medicina chinesa. Onde existe dor, existe estagnação de energia”

Daniela de Matos – Acupunturista

Por

Atualizado segunda-feira,
01 de Junho de 2026 às 10:52

“Existe uma lei na medicina chinesa. Onde existe dor, existe estagnação de energia”
(Foto: Arquivo pessoal)

Uma tradição que atravessa o tempo e é reconhecida como um dos tratamentos mais conceituados do mundo. Criada há mais de dois milênios, a acupuntura é uma abordagem terapêutica milenar que estimula alguns pontos do corpo por meio da inserção de finas agulhas. Em janeiro, a acupuntura se tornou uma profissão regulamentada no Brasil. Daniela de Matos, cirurgiã-dentista, atuou por anos na profissão. Por ser apaixonada pela técnica, largou o consultório odontológico e passou a se dedicar exclusivamente às técnicas milenares.

O que é a acupuntura?

É um pilar da medicina chinesa, uma medicina muito antiga, cerca de 1.600 anos antes de Cristo, já tínhamos achados escritos que falavam sobre os adoecimentos, sintomas como frio, calor, a relação entre a doença e o clima, o adoecimento e as emoções. 300 anos antes de Cristo temos o maior achado escrito da medicina chinesa, que é o livro do Imperador Amarelo, em que a medicina chinesa foi, de fato, organizada. Encontraram achados arqueológicos da acupuntura, pedras, bambu e ossos em formato de agulha, afiados, e acredita-se que eram utilizados para tratar a dor, ou seja, a acupuntura já vinha sendo praticada, mesmo sem ter nada documentado.

A medicina moderna usa alguma técnica da acupuntura, por exemplo?

Atualmente se conseguiu, através de exames importantes como o PET-Scan, a ressonância magnética funcional, mostrar a existência dos pontos de acupuntura. Existe um ponto no canal de energia, por exemplo, do pericárdio, que atua sob o sistema simpático, diminuindo náuseas, vômitos, tem uma ação importante sobre o estômago. Com a ressonância magnética conseguiram comprovar que sim, quando esse ponto é ‘agulhado’, existe uma alteração no cérebro que dispara toda uma rede bioquímica no corpo, ou seja, a acupuntura, ela é uma relação neuro-imuno-hormonal. Isso tudo interligado e não é aleatório, se colocar uma agulha em outro lugar do corpo que não seja o canal do pericárdio, a ressonância magnética não vai mostrar nada.

Existem alguns pontos em que a pessoa pode sentir um pouco mais de desconforto. É sinal de que há algum bloqueio maior de energia?

Vou descrever com um exemplo: os fisioterapeutas falam do ponto gatilho. Por que que o ponto gatilho dói? Porque existe, de uma certa forma, um nó na fibra muscular. Na acupuntura é a mesma coisa, a energia também, ela gera um bloqueio. Tanto é que existe uma lei na medicina chinesa. Onde existe dor, existe estagnação de energia. Essa dor pode ser mais intensa, mais leve, mais localizada, vai depender do quanto a energia está estagnada. Na verdade não é uma dor, na medicina chinesa chamamos de ‘Te Chi’, que é a sensação da energia chegando na agulha.

Qual o principal mito que as pessoas têm sobre a técnica?

Importante dizer é que a acupuntura não cura qualquer coisa, ela trata as síndromes energéticas e as doenças por excesso, como uma enxaqueca, ela movimenta a energia que aquela pessoa tem. A acupuntura vai amenizar o teu problema da dor de cabeça, vai amenizar essa deficiência, mas ela não vai resolver, porque não tenho como dar energia ao meu paciente. Como é que o meu paciente consegue energia? Dormindo bem, respirando bem e comendo bem. É um conjunto entre prática e bons hábitos.

Existe alguma recomendação ou idade específica?

Não, é livre. Além das agulhas, há a possibilidade de fazermos com laser ou com o stiper, que é pastilha de algodão com cristais de silício que não é necessário perfurar a pele e é mundialmente aceito, utilizado em pessoas idosas e nas crianças.

Acompanhe
nossas
redes sociais