Uma tradição que atravessa o tempo e é reconhecida como um dos tratamentos mais conceituados do mundo. Criada há mais de dois milênios, a acupuntura é uma abordagem terapêutica milenar que estimula alguns pontos do corpo por meio da inserção de finas agulhas. Em janeiro, a acupuntura se tornou uma profissão regulamentada no Brasil. Daniela de Matos, cirurgiã-dentista, atuou por anos na profissão. Por ser apaixonada pela técnica, largou o consultório odontológico e passou a se dedicar exclusivamente às técnicas milenares.
O que é a acupuntura?
É um pilar da medicina chinesa, uma medicina muito antiga, cerca de 1.600 anos antes de Cristo, já tínhamos achados escritos que falavam sobre os adoecimentos, sintomas como frio, calor, a relação entre a doença e o clima, o adoecimento e as emoções. 300 anos antes de Cristo temos o maior achado escrito da medicina chinesa, que é o livro do Imperador Amarelo, em que a medicina chinesa foi, de fato, organizada. Encontraram achados arqueológicos da acupuntura, pedras, bambu e ossos em formato de agulha, afiados, e acredita-se que eram utilizados para tratar a dor, ou seja, a acupuntura já vinha sendo praticada, mesmo sem ter nada documentado.
A medicina moderna usa alguma técnica da acupuntura, por exemplo?
Atualmente se conseguiu, através de exames importantes como o PET-Scan, a ressonância magnética funcional, mostrar a existência dos pontos de acupuntura. Existe um ponto no canal de energia, por exemplo, do pericárdio, que atua sob o sistema simpático, diminuindo náuseas, vômitos, tem uma ação importante sobre o estômago. Com a ressonância magnética conseguiram comprovar que sim, quando esse ponto é ‘agulhado’, existe uma alteração no cérebro que dispara toda uma rede bioquímica no corpo, ou seja, a acupuntura, ela é uma relação neuro-imuno-hormonal. Isso tudo interligado e não é aleatório, se colocar uma agulha em outro lugar do corpo que não seja o canal do pericárdio, a ressonância magnética não vai mostrar nada.
Existem alguns pontos em que a pessoa pode sentir um pouco mais de desconforto. É sinal de que há algum bloqueio maior de energia?
Vou descrever com um exemplo: os fisioterapeutas falam do ponto gatilho. Por que que o ponto gatilho dói? Porque existe, de uma certa forma, um nó na fibra muscular. Na acupuntura é a mesma coisa, a energia também, ela gera um bloqueio. Tanto é que existe uma lei na medicina chinesa. Onde existe dor, existe estagnação de energia. Essa dor pode ser mais intensa, mais leve, mais localizada, vai depender do quanto a energia está estagnada. Na verdade não é uma dor, na medicina chinesa chamamos de ‘Te Chi’, que é a sensação da energia chegando na agulha.
Qual o principal mito que as pessoas têm sobre a técnica?
Importante dizer é que a acupuntura não cura qualquer coisa, ela trata as síndromes energéticas e as doenças por excesso, como uma enxaqueca, ela movimenta a energia que aquela pessoa tem. A acupuntura vai amenizar o teu problema da dor de cabeça, vai amenizar essa deficiência, mas ela não vai resolver, porque não tenho como dar energia ao meu paciente. Como é que o meu paciente consegue energia? Dormindo bem, respirando bem e comendo bem. É um conjunto entre prática e bons hábitos.
Existe alguma recomendação ou idade específica?
Não, é livre. Além das agulhas, há a possibilidade de fazermos com laser ou com o stiper, que é pastilha de algodão com cristais de silício que não é necessário perfurar a pele e é mundialmente aceito, utilizado em pessoas idosas e nas crianças.