O futebol cinza do Xavante

Opinião

Marcelo Prestes

Marcelo Prestes

Apresentador e narrador

O futebol cinza do Xavante

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O clima no Bento Freitas parecia antecipar o que seria o futebol do Brasil diante do São José. Um jogo frio, sem brilho e com o mesmo tom acinzentado da tarde no Bento Freitas.

Um desempenho tratado pelo próprio técnico Gilson Maciel como o pior jogo do Xavante em casa nesta Série D do Campeonato Brasileiro. Nem a derrota para o Marcílio Dias, em um sábado à noite no Bento Freitas, apresentou um futebol tão pobre quanto o visto diante da equipe de Argel Fuchs.

E, fazendo a metáfora com o clima e o dia, alguns raios de luz apareceram justamente na escalação do Brasil. Durante a semana falamos que o campo estava dando respostas, e o próprio Gilson concordou com isso. O treinador interpretou corretamente o momento. Escalou quem mereceu oportunidade pelas últimas atuações, principalmente depois do jogo contra o Guarany. Masson, Guty e Morbeck já pediam passagem e iniciaram a partida.

Na teoria, Gilson acertou. Mas o futebol não funciona apenas na lógica. Dentro de campo, o Brasil pouco fez. Foi dominado nos duelos físicos, táticos e de intensidade por um adversário que competiu muito mais. Mesmo com dois meias, não conseguiu construir. Mesmo com um centroavante de origem como Gabriel Morbeck, não conseguiu finalizar.

E a pergunta começa a surgir rodada após rodada: o que está acontecendo com esse Brasil de Gilson Maciel, que vai se desidratando ao longo da Série D?

O time que surpreendeu positivamente na estreia, fez jogos seguros e deixou boas impressões na primeira parte da competição parece ter perdido força. Até quando foi derrotado, como diante do Blumenau, havia sinais positivos. Hoje, o cenário já é diferente.

E por quê?

O elenco é curto? Os jogadores não estão entendendo a proposta do treinador? O fato é que o Brasil cria pouco e agora já não consegue ser eficiente nem nas bolas longas e nas jogadas de bola parada, fundamentos que antes sustentavam parte da campanha.

Se em outros momentos o campo falou positivamente, desta vez deixou respostas preocupantes para a sequência da competição. O Brasil vai precisar se reinventar com o que tem: este elenco, estes jogadores e esta realidade. Voltar a competir e a jogar melhor.

Até porque todas as condições estão sendo dadas para que o trabalho seja bem executado. Mesmo tendo iniciado a temporada depois dos adversários, o Brasil oferece uma estrutura de trabalho muito boa dentro da realidade da Série D. O time precisa apresentar mais alternativas e soluções dentro de campo. Os jogadores precisam assumir mais responsabilidades, sem transferir decisões e dificuldades para os companheiros. E a comissão técnica também necessita interpretar de forma mais clara o que os jogos estão mostrando.

O Brasil não vence há quatro partidas na Série D e isso surpreende justamente porque a equipe demonstra ter condições de render mais. Como destacou Emerson na Rádio Pelotense na última semana, existe a sensação de que esse grupo pode entregar um futebol melhor do que vem apresentando. E a tabela comprova isso. Mesmo em queda de rendimento, a quarta colocação e a classificação momentânea ainda estão nas mãos do Xavante.

O clube de maior tradição do Grupo A16 precisava apresentar mais. Não necessariamente por possuir um elenco muito superior aos adversários, porque não possui, mas pelo contexto construído ao longo da competição. O que preocupa é esse esvaziamento tático, técnico e físico que o time vem demonstrando. O Brasil precisa encontrar respostas, ou ao menos detectar o que está acontecendo, para que as coisas voltem ao normal.

Algumas individualidades precisam evoluir. Gilson Maciel, dentro do que tinha nas mãos, iniciou o jogo da maneira correta. Mas, ao longo da partida, não conseguiu interpretar o que o confronto pedia. O Brasil perdeu o meio-campo. O São José ocupava todos os espaços do campo, enquanto o Bento Freitas virava uma panela de pressão. A bola queimava nos pés dos jogadores xavantes, claramente nervosos.

Isso ficou evidente na confusão após o apito do primeiro tempo. Na minha visão, o Brasil saiu prejudicado com a expulsão de Tony Lucas e, consequentemente, com a saída de Guty para recompor a zaga. A armação, que antes tinha Masson e Guty, ficou apenas nas mãos do voluntarioso Masson, que ainda tentou criar. Andrey também mostrou alguns lampejos, mas a falta de ritmo pesou.

No horizonte aparece o duelo fora de casa contra o São Joseense e, antes disso, um clássico pela Copinha, que precisa ser tratado em outro contexto, porque não serve como parâmetro para a Série D.

O Brasil precisa deixar para trás esse futebol cinza e frio. Precisa voltar a ser quente, competitivo e envolvente se quiser seguir sonhando com a classificação.

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