Quando o campo fala

Opinião

Marcelo Prestes

Marcelo Prestes

Apresentador e narrador

Quando o campo fala

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O futebol costuma entregar respostas para quem sabe observar além do placar. Na vitória sobre o Guarany, o Brasil não mostrou apenas resultado. Mostrou caminhos para Gilson Maciel. Agora cabe ao treinador entender até onde essas respostas podem mudar a equipe.

Gilson teve essa oportunidade no meio da semana, justamente na competição que lhe devolveu a confiança do torcedor com o título da temporada passada. Depois de uma atuação em que nada deu certo diante do Marcílio Dias pela Série D, o campo devolveu respostas importantes ao treinador.

No último sábado, em Itajaí, o Brasil simplesmente não entrou em campo. O desgaste da decisão contra o Internacional apareceu de maneira evidente. Os minutos finais da Recopa e os primeiros contra o Marcílio mostraram um Brasil desorganizado, lento e sem reação.

A derrota ampliou a sequência negativa. Já eram quatro jogos sem vencer entre Série D e Recopa. E mesmo a boa atuação diante do Inter também expôs problemas que seguem acompanhando a equipe.

Por isso o jogo contra o Guarany ganhou importância além da Copa FGF.

Mais do que vencer, o Brasil precisava descobrir alternativas.

O adversário era uma equipe de Série D que apostou fichas nesta competição. Já o Brasil utilizou uma formação alternativa, cheia de jogadores tentando mostrar que podem ser úteis justamente no principal objetivo do clube: a Série D.

E o time respondeu.

Mais do que a vitória segura, o Brasil mostrou algo que vinha faltando: criação.

Masson e Guty se revezavam entre o centro e os lados do campo, aproximando passes, criando tabelas e dificultando a marcação adversária. Pela primeira vez em alguns jogos, o Brasil conseguiu construir jogadas por dentro e não depender apenas de bolas paradas ou lançamentos.

Essa talvez tenha sido a principal resposta deixada pela partida.

A bola parada segue sendo uma arma importante. Mas ao Brasil faltava justamente conseguir criar mais com a bola rolando.

E contra o Guarany isso apareceu.

Guty mostrou personalidade. Arriscou chutes e confirmou a confiança do treinador, que já o definiu como o melhor finalizador do elenco. Além disso, participou do jogo e marcou um belo gol. Masson chamou atenção pela dinâmica e movimentação.

Morbeck, mais uma vez, aproveitou seus minutos. Já são três gols mesmo sem longa sequência como titular. Zamora voltou a passar segurança defensiva e elegância na saída de bola. Yuri manteve a intensidade de sempre.

O principal ponto agora é entender o peso dessas respostas.

O campo mostrou que algumas mudanças podem fazer o time crescer.

Isso não significa que Gilson fará uma revolução na equipe. Mas alguns jogadores claramente pediram passagem.

E talvez Guty tenha sido quem mais aproveitou a oportunidade. A tendência é que ganhe mais espaço na Série D, ao lado de Andrey, que deve retornar depois de ser poupado em Itajaí e ter sido o destaque do Brasil na Recopa.

Morbeck também aumenta a concorrência no ataque, embora Yuri Tanque ainda entregue características importantes para o funcionamento coletivo da equipe.

O São José transforma o próximo confronto em decisão. Uma vitória recoloca o Zequinha na briga. Uma derrota praticamente elimina a equipe gaúcha.

Para o Brasil, é a chance de transformar o que apareceu no meio da semana em evolução dentro da principal competição da temporada.

O campo falou. Agora o Brasil precisa decidir o que fazer com as respostas.

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