Mais do que a derrota, o que preocupa são os sinais que vêm se repetindo. Não dá para desconsiderar a sequência de quatro jogos sem vencer. Mesmo que, no meio deste caminho, tenha existido a derrota na Recopa Gaúcha, onde o Brasil teve um desempenho considerável, guardadas as proporções do adversário muito superior tecnicamente e financeiramente.
Mas os problemas continuaram aparecendo.
Foi assim contra o São José, quando a sequência negativa começou. Voltou a acontecer diante do Marcílio Dias no Bento Freitas. Apareceu novamente na decisão da Recopa e se intensificou neste final de semana, no Gigantão das Avenidas.
E talvez justamente por isso a derrota em Santa Catarina preocupe mais.
Porque foi um jogo em que o Brasil praticamente não existiu.
Foi a pior atuação do Xavante neste bloco entre Série D e Recopa. O time praticamente começou a partida já atrás no placar, em uma indefinição entre defesa e goleiro Edson. Pouco depois, nova falha e outro gol sofrido.
O sistema defensivo, que vinha sendo um dos pontos mais seguros da equipe, desta vez falhou de maneira coletiva.
E quando se fala em sistema defensivo, não são apenas os zagueiros. Os volantes, tão elogiados até aqui, também tiveram dificuldades. O Brasil ficou exposto, deu espaços e sofreu contra jogadas trabalhadas do Marcílio Dias, algo diferente das bolas paradas que já vinham trazendo preocupação.
O placar de 4 a 1 poderia ter sido ainda maior. O Marcílio teve um gol anulado e criou outras oportunidades claras.
O alerta foi ligado.
Mas também não é momento para transformar tudo em desastre.
Como já falei outras vezes por aqui, não é preciso ser o 80 quando o Brasil vence e nem o 8 quando perde. O momento exige equilíbrio para identificar os erros, corrigi-los e, principalmente, manter convicção no trabalho.
Porque a partir de agora, o calendário de quarta e domingo vai cobrar o seu preço.
Mesmo utilizando equipes alternativas em alguns jogos, como deve acontecer na Copa FGF, que começa nesta quarta-feira diante do Guarany, o desgaste físico e mental aparece. Ainda mais enfrentando um adversário que deve utilizar força máxima e o mesmo time da Série D.
E junto disso vem a pressão pelos resultados.
O São José, que antes parecia distante, já se aproxima na tabela. E o próximo confronto contra o Zequinha ganha tamanho de decisão. Uma vitória aproxima novamente o Brasil da parte de cima. Uma derrota pode tirar o Xavante da zona de classificação pela primeira vez.
Neste estágio da competição, já é possível avaliar melhor o coletivo da equipe. Mesmo começando mais tarde, o Brasil já tem dois meses de trabalho e a ideia do técnico Gilson Maciel está estabelecida. Agora é lapidar, encontrar as melhores respostas dentro do elenco e tirar mais de alguns jogadores.
O Brasil precisa evoluir na criação de jogadas. Os zagueiros seguem expostos em alguns momentos. O ataque ainda produz pouco em relação ao volume que o time tenta construir.
Porque os alertas não passam apenas pelas individualidades, mas principalmente pelo funcionamento coletivo da equipe. E talvez algumas respostas estejam dentro do próprio grupo.
Morbeck não merece mais oportunidades? Guty, em poucos minutos, fez algo que poucos meias haviam conseguido até agora: deu dinâmica e participou diretamente de uma jogada de gol logo depois de entrar.
Andrey deve retornar, e isso é um alento. Dos atacantes, foi quem deixou a melhor impressão até aqui.
Robinho precisa desembarcar de vez no Bento Freitas e começar a mostrar o futebol que fez o torcedor se empolgar com sua contratação.
Germano também precisa definir uma função, ou o próprio treinador encontrar o melhor encaixe para o jogador. Particularmente, parece render mais como segundo volante. Venicio, mesmo oscilando em alguns jogos, mostra mais clareza na função. Já Germano, como terceiro homem de meio, ainda parece sem definição entre meia, ponta ou armador.
E qualidade para render mais, Germano tem.
Porque o alerta não aponta apenas para peças individuais, mas para o funcionamento de um time que ainda busca sua melhor versão, mostrada apenas em poucos momentos da temporada.
Ainda há tempo para corrigir. Mas o sinal já apareceu.