Um estudo financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sobre a reativação de ferrovias no país coloca a ligação com o Porto do Rio Grande como um dos principais eixos logísticos no Estado. A análise, que norteia o planejamento de concessões no setor, aponta a concentração de investimentos no corredor entre Cruz Alta e o litoral, por conta do maior retorno econômico.
Trechos importantes do interior, como a Ferrovia do Trigo e o Tronco Principal-Sul, que incorporam a região do Vale do Taquari, não aparecem como prioridade no modelo. A tendência é de centralização dos recursos em rotas estratégicas de escoamento.
Para o vice-presidente de Infraestrutura da Federasul, Antônio Carlos Bacchieri, a decisão pode aprofundar desigualdades regionais. “A concentração de investimentos nesse trecho aprofunda as desigualdades regionais. Precisamos de várias short lines e de uma ferrovia moderna, com mais velocidade, conectando diferentes regiões produtoras”, afirma.
As chamadas short lines (linhas curtas), citadas por Bacchieri, são ferrovias de pequeno/médio porte que conectam indústrias a grandes redes nacionais. Segundo o dirigente empresarial, essas linhas deveriam ser focadas no transporte de cargas, operando em distâncias curtas, como entre o porto e a região dos Vales e Serra.
Segundo ele, o impacto prático da mudança tende a ser limitado sem uma modernização mais ampla da malha ferroviária. “Continuar com essas locomotivas, com trilhos métricos e baixa velocidade, não vai ajudar a economia gaúcha. O que vai fazer diferença é a modernização, com capacidade de transportar outros tipos de carga além do granel”, diz.
O estudo do BID indica que a maior parte das ferrovias só é viável com investimento público e subsídios contínuos, o que leva à priorização de corredores com maior escala de demanda. No caso gaúcho, isso reforça o protagonismo da ligação com o porto e reduz o espaço de trechos regionais.
Ainda assim, Bacchieri defende que regiões fora do eixo principal deveriam ser integradas. “O Vale do Taquari precisa desse modal ferroviário”, defende, “uma short line que conecte a região a um eixo principal é fundamental, tanto para escoar a produção quanto para receber insumos vindos do porto”.
