Diminuição do efetivo do Corpo de Bombeiros em Pelotas acende alerta

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Diminuição do efetivo do Corpo de Bombeiros em Pelotas acende alerta

Em incêndio na noite de segunda-feira (23), efetivo precisou de suporte de equipe de Canguçu

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Atualizado quinta-feira,
26 de Março de 2026 às 10:07

Diminuição do efetivo do Corpo de Bombeiros em Pelotas acende alerta
Ocorrência no bairro Fragata aconteceu a cerca de 200 metros da unidade desativada na Pinheiro Machado (Foto: Jô Folha)

O fechamento do quartel do Corpo de Bombeiros no bairro Fragata voltou ao centro do debate após um incêndio de grandes proporções registrado na noite de segunda-feira (23), a cerca de 200 metros da unidade desativada. A ocorrência expôs fragilidades na estrutura de atendimento do município, que, segundo apurou a reportagem, atualmente conta com apenas uma guarnição em operação, das três disponíveis na cidade.

O fogo começou por volta das 19h em um estabelecimento comercial localizado na Avenida Theodoro Müller, utilizado para serviços automotivos. As chamas se alastraram rapidamente e causaram a destruição total do prédio. Conforme o boletim de ocorrência da Polícia Civil, nove veículos e três motocicletas foram consumidos pelo incêndio, além de peças e equipamentos avaliados em cerca de R$ 500 mil que estavam no interior do imóvel.

De acordo com as informações registradas, quando as equipes chegaram ao local, o combate ao incêndio já estava em andamento, mas a dimensão das chamas exigiu reforço. Foi necessário acionar o Corpo de Bombeiros de Rio Grande e Canguçu, que auxiliaram no controle do fogo e no trabalho de rescaldo.

No momento da ocorrência, apenas três militares estavam em serviço na cidade, o que teria dificultado a resposta imediata. A situação se agrava pelo fato de que o incêndio ocorreu a poucos metros de um quartel fechado, localizado na Avenida Pinheiro Machado, que poderia ter reduzido o tempo de deslocamento e, consequentemente, a extensão dos danos.

A causa do fogo

A suspeita inicial é de que o incêndio tenha começado em um dos veículos que passava por manutenção no local, mas a causa exata ainda será determinada por perícia técnica. O caso foi registrado como incêndio culposo, quando não há intenção, e será investigado pela Polícia Civil.

Caso chega à Câmara

A repercussão do caso chegou à Câmara de Vereadores. Durante a sessão ordinária desta terça-feira, o vereador Daniel Fonseca (PSD) criticou o fechamento do quartel do Fragata e a atual estrutura de atendimento. “Uma cidade com quase 400 mil habitantes, que atende cidades vizinhas, ter apenas uma guarnição de bombeiros com três militares”, afirmou. O parlamentar também relacionou a situação ao impacto do incêndio. “Se o quartel de bombeiros do Fragata estivesse aberto ontem, o estrago não teria sido tão grande”, completou.

O episódio levanta questionamentos sobre a capacidade operacional do município em situações de emergência e reforça o debate sobre a distribuição e manutenção das unidades do Corpo de Bombeiros em áreas estratégicas da cidade.

Nota dos Bombeiros

O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) esclarece que o atendimento operacional em Pelotas é realizado por guarnição em regime de escala, com efetivo distribuído conforme planejamento operacional regional, garantindo a cobertura contínua das demandas emergenciais. O tempo médio de resposta registrado situa-se entre 05 a10 minutos, compatível com a realidade operacional de municípios de porte semelhante.

No caso específico do incêndio mencionado, a guarnição encontrava-se em deslocamento para atendimento de outra ocorrência quando foi acionada para o sinistro, situação que pode ocasionar variações pontuais no tempo de chegada, inerentes à dinâmica do serviço de emergência.

Eventual desativação de estrutura física no município possui caráter temporário e decorre de ajustes administrativos e operacionais, não implicando interrupção do atendimento à população.

O CBMRS desenvolve planejamento estratégico contínuo voltado à recomposição e ampliação do efetivo operacional em todo o Estado. Nesse contexto, encontram-se em andamento cursos de formação de novos bombeiros militares, incluindo: Formação de 407 soldados de carreira, iniciada em março de 2026; Formação de 544 bombeiros temporários, distribuídos em turmas com início previsto para maio, agosto e outubro de 2026.

Além disso, o governo do Estado investiu na aquisição de diversos equipamentos. Em dezembro de 2022 foram adquiridas duas autoescadas mecânicas (AEM) importadas da Alemanha (conhecidas como escada Magirus em razão da marca da fabricante alemã). Os equipamentos, orçados em mais de R$ 16 milhões, são fundamentais no combate ao fogo em edificações.

Ressalta-se também a aplicação de aproximadamente R$ 271 milhões, que permitiu ao CBM a aquisição de 572 viaturas. A corporação ainda obteve sua primeira aeronave em 2023. Em 2026, o Corpo de Bombeiros Militar deve receber mais uma aeronave, no valor de R$ 58 milhões, oriunda de recursos do Funrigs.

O CBMRS reafirma seu compromisso com a proteção da vida, do patrimônio e do meio ambiente, reconhecendo o esforço permanente de seus profissionais, que atuam diariamente em condições operacionais complexas para garantir a segurança da sociedade gaúcha.

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