Como parte das comemorações de seus 40 anos, o Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo da Universidade Federal de Pelotas (Malg/UFPel) apresenta a exposição Eros purificado: do sensual ao sublime. Pinturas e fotografias, do artista plástico catarinense radicado em Pelotas José Luiz de Pellegrin. A mostra reafirma a relevância de uma trajetória marcada pela pesquisa rigorosa em pintura e por uma densa rede de referências históricas da arte moderna e contemporânea brasileira e internacional.
Com curadoria e expografia da professora Neiva Bohns, doutora em História, Teoria e Crítica das Artes Visuais e ex-colega de docência do artista na UFPel, a exposição ocupa duas salas do museu. Em uma delas, o público encontra imagens fotográficas resultantes de experimentos com câmeras Polaroid realizados desde o final da década de 1990, revelando um campo menos conhecido, porém fundamental, da investigação visual do artista.
Na outra, estão reunidas pinturas recentes que evidenciam o retorno consistente de Pellegrin ao ateliê após sua aposentadoria como docente, com obras que aprofundam questões cromáticas, estruturais e perceptivas da abstração geométrica. Na percepção da curadora, o artista traz a cor para o centro da discussão. “Pensar sobre esse assunto de pintura, existe uma reflexão teórica muito vasta. É o último grau de especialização que a pintura pode chegar”, elogia Neiva Bohns.
Capela cromática
Segundo a curadora, o conjunto pictórico “transforma a sala museal numa verdadeira capela cromática, dedicada à beleza ordenada”. As telas, organizadas em módulos horizontais, exploram harmonias e dissonâncias sutis, construídas a partir de múltiplas camadas de tinta acrílica e preparação minuciosa do suporte. Em uma delas, o artista utiliza a aplicação de folhas de ouro, emprestando um metalizado que surpreende. “Tem uma harmonia sim, acho que ele lida mais com uma certa dissonância leve, não é nada que agrida, mas não são combinações muito usuais”
O resultado é uma pintura silenciosa e precisa, que dialoga com referências como Barnett Newman, Willys de Castro, Kandinsky e Malevich, destaca a curadora, sem abrir mão de uma voz autoral própria. Vistas pelas composições únicas, milimetricamente orientadas, criadas a partir de misturas pictóricas que são igualmente individualizadas. “E isso aqui não tem fim , porque ele pode continuar pesquisando. Elas nunca se repetirão. É impossível ser igual”, fala a curadora.
Trajetória
Artista e pesquisador de sólida formação acadêmica, Pellegrin iniciou sua trajetória no Instituto de Letras e Artes da UFPel, em 1976, e consolidou sua carreira com mestrado e doutorado na Escola de Comunicações e Artes da USP, onde foi orientado por Regina Silveira, uma das figuras centrais da arte contemporânea brasileira. A exposição inclui ainda uma linha do tempo que percorre sua vida acadêmica e profissional, além de catálogos e publicações que atestam sua ampla participação em exposições e acervos institucionais no país.
