Pelotense relata momentos de tensão em Israel durante ataques do Irã

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Pelotense relata momentos de tensão em Israel durante ataques do Irã

Em viagem turística, Viviane Glenzel estava em Jerusalém quando começaram os alertas de mísseis

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Pelotense relata momentos de tensão em Israel durante ataques do Irã
(Foto: Viviane Glenzel)

Ataques coordenados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã no último fim de semana desencadearam uma forte escalada militar no Oriente Médio. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra Israel, atingindo cidades como Bet Shemesh, Tel Aviv e Jerusalém – onde a pelotense Viviane Glenzel estava durante uma viagem turística. Com o voo de retorno cancelado, a gaúcha relata os momentos vividos desde o início dos ataques até a tentativa de retornar ao Brasil.

Viviane estava em Israel quando o país foi alvo de mísseis iranianos no domingo (28). O ataque foi uma resposta do Irã às ofensivas coordenadas pelos Estados Unidos e por Israel. Na manhã daquele dia, ela visitava Jerusalém e retornaria a Tel Aviv à tarde para embarcar no voo de volta ao Brasil. “Eu estava no centro, visitando pontos turísticos, já com as malas no carro para ir embora, quando começaram a chegar os alertas no celular”, conta.

Durante as três primeiras sirenes, a pelotense ainda estava dirigindo, a cerca de uma hora do aeroporto. “O alerta dizia que, se você estivesse no carro, deveria parar, sair do veículo, deitar no chão e proteger a cabeça, porque a pressão da explosão pode quebrar os vidros se o míssil cair perto”, relata.

No início, ela ainda não havia instalado o aplicativo oficial de alertas, por isso os primeiros avisos chegaram apenas por notificações no celular. “Ele dispara um alerta sonoro que não para até você silenciar. Normalmente chegam dois avisos: um informando que o ataque pode ocorrer em breve e outro dizendo que há cerca de um minuto para se abrigar porque um míssil está a caminho. Alguns alertas indicavam que o ataque seria no centro de Tel Aviv, outros diziam que era diretamente na nossa direção”.

Após três alertas, Viviane conseguiu se abrigar no bunker de um hotel. Ela conta que pessoas de diferentes países conversavam tentando manter a calma, enquanto os moradores locais demonstravam tranquilidade diante da situação. “Quando os alertas terminavam, você via pessoas vivendo a rotina normalmente. Isso até ajudava a acalmar um pouco os turistas, que estavam vivendo aquilo pela primeira vez”, afirma.

Viviane foi a Israel em uma viagem turística. (Foto: Arquivo pessoal)

Segundo ela, a maior dificuldade nos primeiros dias foi conseguir dormir. “Às vezes conseguíamos cochilar no bunker ou em algum sofá, mas quando o celular tocava novamente com aquele alerta alto, todo mundo acordava assustado e corria de volta para o abrigo”, relata.

Retorno ao Brasil

De acordo com a pelotense, não houve suporte da Embaixada Brasileira durante o período de tensão. “Eles enviaram um e-mail que, para nós, soou quase como uma ofensa. A mensagem basicamente dizia para as pessoas se virarem, que por enquanto não haveria auxílio”, afirma.

Diante da situação, Viviane e o marido passaram a buscar alternativas por conta própria para deixar o país. O casal seguiu de carro até Eilat, no extremo sul de Israel, a cerca de quatro horas de viagem de Tel Aviv. O trajeto atravessa uma região desértica e passa por diversas bases militares e tanques de guerra. Em Eilat, eles conseguiram transporte até a fronteira com o Egito. “Ficamos cerca de quatro horas tentando resolver a documentação e enfrentamos várias dificuldades, inclusive tentativas de extorsão”, conta.

Já em território egípcio, o casal também enfrentou novos obstáculos. “Até chegar onde estamos agora enfrentamos muitas situações que não aparecem em nenhum site ou informação oficial. Foi tudo na coragem mesmo, e hoje agradecemos por termos conseguido chegar até aqui”, diz.

No momento da entrevista, Viviane já estava hospedada em um hotel no Egito. “Hoje cheguei a Sharm, onde fica um aeroporto mais próximo. A ideia é amanhã conseguir pegar um voo para o Cairo e, de lá, sair do Oriente Médio”, explica.

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